O Espiritismo é para todos os que se simpatizam com os princípios da Doutrina (existência de Deus; imortalidade da alma; pluralidade das existências; pluralidade dos mundos habitados; comunicabilidade dos espíritos) e por agirem em pleno acordo com os mesmos. “O Espiritismo é uma doutrina filosófica de efeitos religiosos, como qualquer filosofia espiritualista, pelo que forçosamente vai ter às bases fundamentais de todas as religiões: Deus, a alma e a vida futura. Mas, não é uma religião constituída, visto que não tem culto, nem rito, nem templos e que, entre seus adeptos, nenhum tomou, nem recebeu o título de sacerdote ou de sumo-sacerdote. Estes qualificativos são de pura invenção da crítica” (capítulo “Ligeira resposta aos detratores do Espiritismo, Obras Póstumas – grifos nossos).
Sendo uma doutrina filosófica, é exigido de seus membros o questionamento racional dentro de uma metodologia científica, com a busca da justificativa de suas conceitos, para que suas crenças não sejam banais. A banalização dos ensinamentos espíritas pode levar muitos adeptos à se afastar da prática do bem e, consequentemente, de Deus. Grande parte das críticas dos opositores do Espiritismo são alimentadas por incoerências ditas pelos que se dizem seguidores da Doutrina Espírita. Esses pseudo-espíritas entram em contradição com os mais puros ensinamentos de Jesus. Os que criticam o Espiritismo com base nos pseudo-espíritas devem buscar outras fontes, tais como as obras básicas da Doutrina, e não opiniões pessoais dos seus adeptos. Por exemplo, quando eu tenho alguma dúvida sobre a Igreja Católica, eu não pergunto a qualquer seguidor, mas aos que realmente a professam.
Nesse sentido, segundo Kardec (item 28, capítulo III, O Livro dos Médiuns), há uma classe de espíritas, que ele denominou de exaltados, que “é mais nociva do que útil à causa do Espiritismo”. São os que possuem uma confiança cega no mundo invisível, o que os leva a aceitar “com extrema facilidade e sem verificação, aquilo cujo absurdo, ou impossibilidade a reflexão e o exame demonstrariam” (grifos nossos). Essa confiança cega é sutil e todos os espíritas devem estar atentos, uma vez que podem atingir tanto o que é novato na Doutrina, quanto o que já a professa desde longa data. A verificação e estudo sobre os fatos fundamenta a fé que estabelece a ligação com Deus.
Embora tenha efeitos religiosos, o verdadeiro caráter do Espiritismo é “o de uma ciência, e não de uma religião. (…) Cada um, sem dúvida, pode fazer uma religião de suas opiniões, interpretar à vontade as religiões conhecidas, mas daí à constituição de uma nova Igreja, há distância” (capítulo “Terceiro diálogo – o padre", O que é o Espiritismo – grifos nossos). Uma vez que possui características de ciência, o espírita deve basear seus estudos dentro de uma metodologia adequada e em conformidade com as metodologias científicas.
Não cabe ao espírita, portanto, aceitar a existência de Deus, a imortalidade da alma, a pluralidade das existências, a pluralidade dos mundos habitados e a comunicabilidade dos espíritos, sem uma justificativa. Sem justificativa, os princípios da Doutrina Espírita são meras crenças, caracterizadas como “fé cega”, e estão sujeitas à serem substituídas por qualquer princípio fundamentado, inclusive os materialistas.
Aos espíritas exaltados, cujos argumentos não possuem fundamentos racionais, mas apenas uma confiança cega, cabe a responsabilidade de colocar um trabalho sério em descrédito. Portanto, suas ações trazem malefícios a todos os que são adeptos da Doutrina Espírita, inclusive aos que aceitam as opiniões de qualquer um que se diga adepto do Espiritismo.
O verdadeiro espírita, portanto, é aquele que busca a razão para a sua fé. A fé raciocinada não é a compreensão total de um fenômeno, mas saber que o mesmo ocorre por causas naturais e que Deus permite a todos a sua explicação.
“O Espiritismo bem compreendido” leva seu adepto a perdoar e esquecer as ofensas, a ser indulgente com as fraquezas alheias, a não procurar os defeitos alheios, a estudar as próprias imperfeições e trabalhar em combatê-las, a não procurar valorizar nem seu espírito, nem seus talentos, às expensas de outrem, a não se envaidecer, a usar sem abusos os bens que lhe são concedidos, a tratar a todos com benevolência, a compreender os deveres de sua posição, a respeitar em seus semelhantes todos os direitos dados pelas leis da Natureza, em outras palavras, a seguir Jesus de Nazaré, o Cristo, e ter atitudes condizentes com Seus ensinamentos (capítulo XVII, O Evangelho segundo o Espiritismo). Esse é o verdadeiro espírita.
Portanto, para ser espírita não basta acreditar em reencarnação e em espíritos, que são questões secundárias. É preciso estabelecer sintonia com Deus e seguir Jesus. A justificativa racional com bases científicas faz com que as crenças sejam estabelecidas como verdade (levando em consideração que não temos a verdade absoluta). Para que uma verdade seja derrubada, é necessário uma explicação mais bem fundamentada. Logo, a justificativa leva à fé raciocinada e, consequentemente, a conceitos sólidos.
Espíritas, agir em conformidade com os ensinamentos do Cristo é buscar a certeza de suas orientações; é buscar a sabedoria que leva à prática do bem; é buscar a vida plena. Não em teoria, mas na prática, com obras e fé que levam a Deus.
Não nos cabe mais a vaidade pelos anos de Espiritismo. Mas, o trabalho incessante para que o Evangelho de Jesus se espalhe por toda a Terra e seja constituído como norma de conduta para toda a Humanidade. Busca, pois, o Cristo, e fundamenta seus conceitos. Assim, encontrará o consolo do conhecimento sincero de que Jesus é “o caminho, a verdade e a vida” (João 14:6). A verdade é encontrada pela verificação e pela justificativa. O estudo incessante nos leva à vida, tal qual Jesus nos mostrou. Ao agir em conformidade com os ensinamentos VERDADEIRAMENTE Espíritas, estaremos agindo segundo os ensinamentos de Jesus. Sigamos o Mestre. Aceitemos a Jesus como O que nos levará de retorno ao Pai.