quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

O verdadeiro espírita

O Espiritismo é para todos os que se simpatizam com os princípios da Doutrina (existência de Deus; imortalidade da alma; pluralidade das existências; pluralidade dos mundos habitados; comunicabilidade dos espíritos) e por agirem em pleno acordo com os mesmos. “O Espiritismo é uma doutrina filosófica de efeitos religiosos, como qualquer filosofia espiritualista, pelo que forçosamente vai ter às bases fundamentais de todas as religiões: Deus, a alma e a vida futura. Mas, não é uma religião constituída, visto que não tem culto, nem rito, nem templos e que, entre seus adeptos, nenhum tomou, nem recebeu o título de sacerdote ou de sumo-sacerdote. Estes qualificativos são de pura invenção da crítica” (capítulo “Ligeira resposta aos detratores do Espiritismo, Obras Póstumas – grifos nossos).

Sendo uma doutrina filosófica, é exigido de seus membros o questionamento racional dentro de uma metodologia científica, com a busca da justificativa de suas conceitos, para que suas crenças não sejam banais. A banalização dos ensinamentos espíritas pode levar muitos adeptos à se afastar da prática do bem e, consequentemente, de Deus. Grande parte das críticas dos opositores do Espiritismo são alimentadas por incoerências ditas pelos que se dizem seguidores da Doutrina Espírita. Esses pseudo-espíritas entram em contradição com os mais puros ensinamentos de Jesus. Os que criticam o Espiritismo com base nos pseudo-espíritas devem buscar outras fontes, tais como as obras básicas da Doutrina, e não opiniões pessoais dos seus adeptos. Por exemplo, quando eu tenho alguma dúvida sobre a Igreja Católica, eu não pergunto a qualquer seguidor, mas aos que realmente a professam.

Nesse sentido, segundo Kardec (item 28, capítulo III, O Livro dos Médiuns), há uma classe de espíritas, que ele denominou de exaltados, que “é mais nociva do que útil à causa do Espiritismo”. São os que possuem uma confiança cega no mundo invisível, o que os leva a aceitar “com extrema facilidade e sem verificação, aquilo cujo absurdo, ou impossibilidade a reflexão e o exame demonstrariam” (grifos nossos). Essa confiança cega é sutil e todos os espíritas devem estar atentos, uma vez que podem atingir tanto o que é novato na Doutrina, quanto o que já a professa desde longa data. A verificação e estudo sobre os fatos fundamenta a fé que estabelece a ligação com Deus.

Embora tenha efeitos religiosos, o verdadeiro caráter do Espiritismo é “o de uma ciência, e não de uma religião. (…) Cada um, sem dúvida, pode fazer uma religião de suas opiniões, interpretar à vontade as religiões conhecidas, mas daí à constituição de uma nova Igreja, há distância” (capítulo “Terceiro diálogo – o padre", O que é o Espiritismo – grifos nossos). Uma vez que possui características de ciência, o espírita deve basear seus estudos dentro de uma metodologia adequada e em conformidade com as metodologias científicas.

Não cabe ao espírita, portanto, aceitar a existência de Deus, a imortalidade da alma, a pluralidade das existências, a pluralidade dos mundos habitados e a comunicabilidade dos espíritos, sem uma justificativa. Sem justificativa, os princípios da Doutrina Espírita são meras crenças, caracterizadas como “fé cega”, e estão sujeitas à serem substituídas por qualquer princípio fundamentado, inclusive os materialistas.

Aos espíritas exaltados, cujos argumentos não possuem fundamentos racionais, mas apenas uma confiança cega, cabe a responsabilidade de colocar um trabalho sério em descrédito. Portanto, suas ações trazem malefícios a todos os que são adeptos da Doutrina Espírita, inclusive aos que aceitam as opiniões de qualquer um que se diga adepto do Espiritismo.

O verdadeiro espírita, portanto, é aquele que busca a razão para a sua fé. A fé raciocinada não é a compreensão total de um fenômeno, mas saber que o mesmo ocorre por causas naturais e que Deus permite a todos a sua explicação.

“O Espiritismo bem compreendido” leva seu adepto a perdoar e esquecer as ofensas, a ser indulgente com as fraquezas alheias, a não procurar os defeitos alheios, a estudar as próprias imperfeições e trabalhar em combatê-las, a não procurar valorizar nem seu espírito, nem seus talentos, às expensas de outrem, a não se envaidecer, a usar sem abusos os bens que lhe são concedidos, a tratar a todos com benevolência, a compreender os deveres de sua posição, a respeitar em seus semelhantes todos os direitos dados pelas leis da Natureza, em outras palavras, a seguir Jesus de Nazaré, o Cristo, e ter atitudes condizentes com Seus ensinamentos (capítulo XVII, O Evangelho segundo o Espiritismo). Esse é o verdadeiro espírita.

Portanto, para ser espírita não basta acreditar em reencarnação e em espíritos, que são questões secundárias. É preciso estabelecer sintonia com Deus e seguir Jesus. A justificativa racional com bases científicas faz com que as crenças sejam estabelecidas como verdade (levando em consideração que não temos a verdade absoluta). Para que uma verdade seja derrubada, é necessário uma explicação mais bem fundamentada. Logo, a justificativa leva à fé raciocinada e, consequentemente, a conceitos sólidos.

Espíritas, agir em conformidade com os ensinamentos do Cristo é buscar a certeza de suas orientações; é buscar a sabedoria que leva à prática do bem; é buscar a vida plena. Não em teoria, mas na prática, com obras e fé que levam a Deus.

Não nos cabe mais a vaidade pelos anos de Espiritismo. Mas, o trabalho incessante para que o Evangelho de Jesus se espalhe por toda a Terra e seja constituído como norma de conduta para toda a Humanidade. Busca, pois, o Cristo, e fundamenta seus conceitos. Assim, encontrará o consolo do conhecimento sincero de que Jesus é “o caminho, a verdade e a vida” (João 14:6). A verdade é encontrada pela verificação e pela justificativa. O estudo incessante nos leva à vida, tal qual Jesus nos mostrou. Ao agir em conformidade com os ensinamentos VERDADEIRAMENTE Espíritas, estaremos agindo segundo os ensinamentos de Jesus. Sigamos o Mestre. Aceitemos a Jesus como O que nos levará de retorno ao Pai.

Questões espíritas.

Basta acreditar em espíritos para ser considerado espírita? E pode se dizer espírita o que mantém contato com os desencarnados? Isso é o que muita gente afirma, inclusive dizendo que algumas novelas que passam na TV são espíritas apenas porque apresentam comunicação entre encarnados e desencarnados. Também afirmam que basta um livro ser psicografado para ser caracterizado como obra espírita.

Quem afirma isso mostra total desconhecimento da Doutrina Espírita. Vejamos o que afirma Kardec no capítulo III , item 19, de O Livro dos Médiuns: “no Espiritismo, a questão dos Espíritos é secundária e consecutiva. (…) Não sendo os Espíritos senão as almas dos homens, o verdadeiro ponto de partida é a existência da alma” (grifos nossos). É secundária por não ser prioritária e é consecutiva por vir após algumas considerações, tal como a questão da existência da alma (cabe ressaltar que a existência de Deus é algo acima de qualquer coisa). A existência da alma é, portanto, o que motiva o estudo das obras da codificação espírita, uma vez que o principal é a mudança íntima, ou seja, elevar a alma ao Criador.

O espírita não acredita em comunicação com os mortos e segue as orientações de Moisés, segundo Deuteronômio 18. Ou seja, as obras espíritas orientam a NÃO procurar adivinhadores ou feiticeiros, e a não evocar os mortos. Caso sejam encontradas obras ou palestras ou textos que alimentem essas abominações, certamente não serão espíritas. As novelas da TV que abordam vida após a "morte" também NÃO SÃO espíritas. Não basta acreditar em espíritos para ser espírita. Espírita é o que estuda as obras da codificação espírita. O que aceita procurar adivinhadores ou feiticeiros NÃO É espírita. Para compreender o que digo, leia a Introdução de "O Livro dos Espíritos".

O espírita aceita a comunicação com os VIVOS. Vivos segundo Mateus 22:31-32. Vivos em espírito, eternos. Lembro que não é a comunicação o principal da Doutrina Espírita, mas a mudança íntima, a elevação, o retorno para Deus.

Não basta uma obra ser psicografada para ser considerada espírita. Para ser espírita, a obra deve ser coerente com as obras básicas da Doutrina Espírita e, consequentemente, com o Antigo e com o Novo Testamentos. Há várias obras ditas espíritas nas livrarias do mundo todo. Porém, de espírita não têm absolutamente nada. São pura fantasia e não estão em acordo com os princípios básicos da Doutrina Espírita. Aquele que se diz espírita e diz que tais obras são espíritas pratica a falsidade, seja deliberadamente (e terá que arcar com sua irresponsabilidade), seja por ignorância (e terá que se redimir pela sua falta).

Antes de associar curas espirituais, obras psicografadas e telenovelas ao Espiritismo, é necessário estudar as obras do Espiritismo. Senão, aquele que critica corre o risco de agir contra os ensinamentos de Jesus. Tais associações não fazem o menor sentido e beiram à crítica sem fundamentos.

Portanto, podemos criticar, mas com justificativas, dentro de um debate amplo, fraterno, sincero, destituídos de qualquer preconceito. 

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Educação para um mundo melhor

Na primeira infância, tomamos consciência de estarmos vivos. Porém, a tomada de consciência de nossa natureza humana, de seres inteligentes, com capacidade de realizações individuais, é lenta, gradual e, em certos casos, sequer se completa nessa encarnação.
Quantas vezes paramos para retomar a consciência? Quantas vezes refletimos se estamos ou não conscientes? Ao observar a Natureza ao nosso redor, ao observar o Sol, as estrelas, as plantas, os animais, os seres-humanos, temos a oportunidade de conscientemente perceber a presença de Deus. Assim, o indivíduo sente Deus e O busca em suas preces, pensamentos e ações. As ações passam a ser guiadas por valores morais, com Jesus sendo o guia e Deus representando o Bem Maior.
Uma vez consciente da presença de Deus, o objetivo passa a ser a conquista da lucidez dos conhecimentos da vida, da Natureza e do próprio ser. Da mesma forma, o conhecimento da vida, da Natureza e do próprio ser levam o indivíduo a Deus. Assim, o ser consciente segue sempre gradativamente para um conhecimento maior.
A consciência de “estar vivo” permite que o ser realize ações dignas, edificantes, com a utilização de potencialidades inatas do ser, por ter sido criado por Deus, além de habilidades conquistadas por meio das várias experiências vividas.
Hoje, vivemos em uma sociedade altamente paternalista. Os benefícios imediatos, mas superficiais, são mais valorizados do que os alcançados através da labuta, que são permanentes. A Educação está mais voltada para resolver problemas imediatos do que para fornecer oportunidades de crescimento, tanto individual quanto coletivo. Como exemplo, podemos observar a banalização do Ensino Superior, no qual o mérito está cada vez mais desvalorizado em detrimento do diploma a qualquer custo. É o ser-humano desvalorizando a si mesmo, desqualificando suas potencialidades de aprendizado. Coincidência ou não, a banalização da busca pelo conhecimento teve início com o crescente distanciamento de Deus.
A Educação verdadeira trata da preparação do indivíduo para uma vida plena, por meio da aquisição da consciência de seus atos, com a sociedade vivendo em harmonia, em respeito mútuo.
As crianças são receptíveis às novas sugestões, aos novos aprendizados. São seres que necessitam de referências para que elaborem sua própria personalidade. Tais referências surgem de formas diversas, através da hereditariedade, da comunidade em que vivem, das influências dos meios de comunicação, entre outros. Os adultos são os responsáveis por fornecer condições para o desenvolvimento saudável das crianças, ou seja, têm a incumbência de serem referências para os jovens espíritos que iniciam nova jornada na matéria. Com o passar dos anos, as influências da matéria podem provocar o desvio de sua natureza espiritual, comprometendo sua busca pela consciência. Porém, se suas potencialidades forem bem utilizadas, as mesmas influências da matéria podem ser catalisadoras do seu despertar para uma vida plena, consciente de seu papel no universo.
Nesse sentido, educar pode ser visto pelo educando como uma conquista, cuja finalidade é a sua própria educação. O objetivo não é apenas o conhecimento por si só, nem a profissionalização ou um ajuste sócio-cultural, mas, além de todos esses aspectos, a busca pela plenitude. É a conquista da liberdade. O ser compreende, então, que pode buscar o seu próprio conhecimento, que pode fazer suas próprias escolhas, tomando como referência os membros da comunidade em que vive. Com isso, passa a ter atitudes dignas perante a sociedade e torna-se, ele mesmo, uma referência para o bem universal.
O educador é todo aquele que participa ativamente, como cúmplice e referência para que o educando alcance seus objetivos edificantes. Para tanto, o educador deve estar em um processo permanente de aprendizado, caracterizando um ensino-aprendizagem que visa o aperfeiçoamento mútuo. O benefício é, pois, percebido por toda a sociedade, o que não ocorre de forma significativa na sociedade paternalista atual. O educador busca uma melhor maneira para orientar e para influenciar positivamente, sem que haja desrespeito ao conhecimento adquirido pelo sujeito-aprendente. Na educação para a plenitude espiritual, o educador deve assumir, portanto, uma postura condizente com os objetivos maiores.
Para alcançar tal plenitude espiritual, o princípio máximo que deve reger a Educação é o amor. Não o amor que permite tudo, mas o amor consciente. O amor para a educação é voltado para a conquista da confiança recíproca. Deve ser enérgico, corajoso, forte, mas não dominante e nem desrespeitoso, além de ser executado com autoridade, mas sem autoritarismo. É o amor segundo Jesus nos ensinou e que permite nossa ligação com Deus.
A Educação deve ser ética, afetiva, sexual, física e religiosa. A educação ética é voltada para os valores morais, para as leis maiores que regem o Universo. A educação afetiva se volta para o respeito ao próximo, com o esclarecimento do maior mandamento, segundo Jesus de Nazaré. A educação sexual visa a orientação para uma sexualidade sadia e responsável, não somente para perpetuação da espécie humana, mas também para o aprendizado do amor com desapego, necessária para a construção de uma sociedade planejada segundo preceitos da ética e da moral. A educação física tem por objetivo a compreensão do respeito ao próprio corpo, com a busca do equilíbrio alimentar e de exercícios benéficos. A educação religiosa mostra a religião como um meio de comunhão com a divindade e com o bem maior, e não como uma convenção social.
Já não podemos mais aceitar uma Educação paternalista, assistencialista ou imposta. A Educação integral deve ter como proposta a liberdade máxima do ser, com a consciência dos valores morais e éticos, com o respeito ao próximo e a si mesmo, com o conhecimento dos limites pessoais e com a prática do bem.
Porém, a escolha é individual. Uma das inúmeras maneiras de alcançar patamares mais elevados é assumir a reforma íntima como prática fundamental de absorção de conhecimento por meio da caridade para com todos.
A construção de uma sociedade saudável é dever de todos. Portanto, é responsabilidade de cada um de nós agir com respeito ao próximo e a si mesmo, segundo a máxima do Cristo. Dessa forma, cada membro da sociedade atua como educador e como educando, proporcionando aos mais jovens um crescimento saudável e uma tomada de consciência, tanto individual quanto coletiva. Tal prática pode ser por meio de encontros na casa religiosa, de Evangelho no Lar, de cultos com amigos e vizinhos, na escola, enfim, com o intuito de trazer o Evangelho de Jesus para dentro de nossos corações. É o retorno ao Pai com a plenitude da consciência individual, por meio de relações interpessoais repleta de respeito mútuo. Esse é um dever de todos nós.

*Fontes de pesquisa:
  • Joanna de Ângelis, O Ser Consciente (psicografia de Divaldo Pereira Franco), 1993;
  • Dora Alice Colombo, Pedagogia Espírita: um projeto brasileiro e suas raízes histórico-filosóficas, 2001. Tese (Doutorado em Filosofia da Educação) – Universidade de São Paulo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Orientador: Roseli Fischmann.

Primeiras reflexões

Sigo Kardec? Não! Sigo Jesus.

Porém, em conjunto com o Antigo e com o Novo Testamentos, estudo as obras Espíritas, assim como toda e qualquer obra que fundamente meus conhecimentos. Não posso alegar que seja razoável omitir qualquer obra que edifique um conhecimento, mesmo que seja para refutar suas ideias. Para ser contra uma ideia, é preciso conhecê-la com profundidade.

Para os que dizem que a Doutrina Espírita é contrária aos ensinamentos de Jesus, peço calma. A ideia aqui não é criar uma briga, mas buscar o conhecimento de mim mesmo. Quem quiser vir comigo, será bem-vindo, seja cristão ou não, seja adepto das ideias do Espiritismo ou não.

Algumas questões NÃO serão discutidas nesse blog, tais como:

1) Existência de Deus;
2) Jesus é o nosso Mestre, a Luz do Mundo;
3) Existência da alma.

Essas questões são indiscutíveis nesse blog. Todo o mais poderá ser discutido, desde que seja dentro da ética e da moral.