segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Natal : o Cristo em você


“E, agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo.” (João 17:5)

            Comemoramos o aniversário de Jesus em uma data que representa o seu nascimento na Terra: o dia 25 de dezembro.
           Porém, se Jesus, o homem, possui uma data que representa o seu aniversário de nascimento na Terra, o Cristo se encontra em trabalho constante junto à Terra e, consequentemente, junto à humanidade terrestre desde “antes que houvesse mundo”.
            Jesus nasceu na manjedoura, mas o Cristo ainda não nasceu nos corações da maioria dos que habitam esse planeta. Vinícius (pseudônimo de Pedro de Camargo), em seu livro “Em torno do Mestre”, nos questiona sobre a influência do Natal, do nascimento de Jesus, em nossas vidas. O nascimento de Jesus tem provocado mudanças na sua vida? Você está pronto para deixar a luz do Cristo nascer em seu coração? E, você tem se colocado à disposição do Mestre Nazareno para extinguir o mal sobre a Terra? O que você tem feito ao seu próximo? Essas são as perguntas que podemos nos fazer antes de comemorar o Natal.
            Vinícius continua: “Se permanecermos alheios ao natal de Belém, quanto à sua eficiência em nossas almas, tudo o que fizermos para comemorar tão auspiciosa data histórica será vão e vazio, visto como Jesus nasceu para nos salvar do pecado, para nos remir da servidão, dos vícios e das paixões. Se nos conservamos na iniquidade do século e nos afazemos à escravidão, aquele natalício ainda não se realizou: nada temos, portanto, que comemorar”.
            Os sinceros seguidores do Cristo não podem se esquecer de que “a manjedoura é o teatro de todas as glorificações da luz e da humildade e, enquanto alvorecia uma nova era para o globo terrestre, nunca mais se esqueceria o Natal, a ‘noite silenciosa, noite santa’ ” (Emmanuel, A Caminho da Luz). A lição do Cristo-Jesus encarnado na Terra se inicia em uma humilde manjedoura, como a dizer para a humanidade que não importa qual a sua origem, todos têm um destino certo, que é a ressurreição da alma, a libertação espiritual, no encontro com o Pai Celestial. “Se Jesus não nascer e crescer na manjedoura de nossa alma, em vão os Anos Novos se abrirão iluminados para nós” (Emmanuel, Fonte de Paz). Todos os dias, o Cristo espera seu nascimento não mais na manjedoura, mas nos nossos corações.
            O Cristo nasce todos os dias para os que sofrem com bom ânimo, para os que trabalham no bem, para os que estão aflitos pelas provas ou pelas expiações, mas glorificam a Deus pelas oportunidades de redenção. O Natal ocorre para todos os que doam água aos que têm sede, aos que doam coberta aos que têm frio, aos que ouvem os aflitos, aos que se juntam ao exército do bem sob o comando do divino Mestre.
            A data de 25 de dezembro não deve ser vista como uma mera comemoração, mas um atendimento aos chamados de Jesus. Aproveitemos, portanto, a congregação em nome do Cristo, para que todos nós possamos nos unir pela transformação da Humanidade terrestre, que estejamos unidos permanentemente em Cristo e glorifiquemos a Deus, nosso Pai.

domingo, 16 de setembro de 2012

O papel dos pais na educação dos filhos


             Vou falar como filho, como pai e como marido, compartilhando com vocês as minhas leituras e as minhas experiências.
Não posso deixar de citar a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a interrupção da gestação de anencéfalos.
                Mães, amem seus filhos. Se ele ainda está em seu ventre ou se já está ao seu lado, ame-o, pois ele é um presente de Deus e merece a oportunidade de viver em nosso mundo.
“A mulher que abraça de coração alegre e devotado as tarefas da organização familiar é sempre abençoada e assistida com extremo carinho pela Divina Providência.”
                O espírito que encarna como mulher tem a oportunidade de adquirir afetividade, ternura, sensibilidade, carinho, delicadeza. O que podem realizar quando esclarecidas nos ensinos do Divino Mestre Jesus em seu Evangelho?
                Segundo Emmanuel, no livro MÃE (ditado a Chico Xavier), “Não basta alimentar minúsculas bocas famintas ou agasalhar corpinhos enregelados. É imprescindível o abrigo moral que assegure ao espírito renascente o clima de trabalho necessário à própria sublimação. Muitos pais garantem o conforto material dos filhinhos, mas lhes relegam a alma a lamentável abandono.”
                Parto do princípio que o Evangelho de nosso Mestre Jesus contém tudo o que necessitamos para o nosso aperfeiçoamento moral. É o Evangelho, portanto, o nosso livro-guia, a palavra de Deus na Terra. Pais não precisam de títulos acadêmicos para melhor instruir e orientar seus filhos, mas necessitam abrir o coração para os sublimes ensinamentos do Mestre Jesus.
                Nesse sentido, gostaria de citar João 19:25: “E junto à cruz estavam a mãe de Jesus, e a irmã dela, e Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena.” Maria de Nazaré estava ao lado do filho, como a ampará-lo naquele momento de dor, amparar Jesus de Nazaré, o maior homem que já pisou nos solos de nosso planeta.
                E nós? Quem recebemos em nossos lares? Recebemos por filhos os filhos de Deus. E quando Deus nos perguntar: “que fizeste do filho confiado à vossa guarda?” o que responderemos? Estamos prontos para assumir a responsabilidade? Temos, portanto, obrigação em aproximar de Deus essas almas a nós confiadas.
                Se cumprirmos bem essa tarefa, receberemos a recompensa de ver nossos filhos cada vez mais próximos de Deus e, portanto, no caminho da felicidade.
                Porém, se cumprirmos mal, poderemos receber como castigo a visão de nossos filhos entre os infelizes, entre os sofredores. Nesse caso, perturbados e atormentados pelo remorso, pediremos para reparar as nossas faltas, o que pode ser feito por meio de uma nova encarnação para nós e para as almas que deixamos de orientar. Assim, teremos nova oportunidade de apresentar-lhes o Evangelho de Jesus, na teoria e na prática.
                O papel da mãe é fundamental, pois a mulher tem a sensibilidade que lhe é natural e ela pode, mais do que o homem, auxiliar no processo de libertação das almas a ela confiadas.
Segundo Isaías 127:3: “Herança do Senhor são os filhos; o fruto do ventre, seu galardão.” E Paulo nos esclarece, em Efésios 6:4: “E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor.” E, ainda, em Provérbios 29:15-17: “A vara e a disciplina dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma vem a envergonhar a sua mãe. Quando os perversos se multiplicam, multiplicam-se as transgressões, mas os justos verão a ruína deles. Corrige o teu filho, e te dará descanso, dará delícias à tua alma.”
                É necessário, portanto, apresentar aos nossos filhos a moral do Cristo, os ensinamentos cristãos que os conduzirá ao Criador.
Nem toda mulher pode ser mãe, mas as que Deus abençoou com essa doce tarefa devem agir com responsabilidade e com amor. A mãe cuida do filho enquanto ele está em seu ventre. Cuida dele enquanto ele necessita de cuidados constantes, durante a infância. A mãe tem paciência e amor quando os filhos se encontram na adolescência. A mãe ampara os filhos quando eles são adultos. O trabalho da mãe não termina.
Portanto, filhos, amem as suas mães. Mães, amem os seus filhos.
                Conforme Colossenses 3:18-25: “Esposas, sede submissas ao próprio marido, como convém no Senhor. Maridos, amai vossa esposa e não a trateis com amargura. Filhos, em tudo obedecei a vossos pais; pois fazê-lo é grato diante do Senhor. Pais, não irriteis os vossos filhos, para que não fiquem desanimados. (...) A Cristo, o Senhor, é que estais servindo; pois aquele que faz injustiça receberá em troco a injustiça feita; e nisto não há acepção de pessoas.”              
                Somos todos nós filhos de Deus Pai.
                Coloquemos o Evangelho de Jesus em nossos corações e sejamos servos do Cristo, cooperando para o Bem Universal.
                Mães, recebam seus filhos com todo o amor que puderem. Deem graças a Deus por poderem gerar um filho. Não desperdicem essa santa oportunidade, mesmo que endossada pelas leis do homem. O mal é o mal, mesmo que todos façam. O bem é o bem, mesmo que ninguém faça. Sejam fiéis aos desígnios de Deus e permaneçam firmes.
                Filhos, amem suas mães, mesmo que elas não ajam da forma que vocês gostariam. Elas nos foram enviadas por Deus para nos orientar no caminho que leva a Ele. Elas são anjos do Senhor que velam pelo nosso sono, mesmo que à distância.
                No livro O Consolador, na pergunta 108 (“Onde a base mais elevada para os métodos de educação?”), Emmanuel nos esclarece: “As noções religiosas, com a exemplificação dos mais altos deveres da vida, constituem a base de toda a educação, no sagrado instituto da família”.
                Mãe, edifique seu lar em acordo com o Evangelho do Cristo. Os que compartilham contigo o lar da terra serão eternamente gratos por você lhes mostrar o verdadeiro caminho para a felicidade.

domingo, 26 de agosto de 2012

Reforma íntima


“A bendita renovação da alma pertence àqueles que ouviram os ensinamentos do Mestre Divino, exercitando-lhes a prática. Muitos recebem notícias do Evangelho, todos os dias, mas somente os que ouvem estarão transformados.” (ditado por Emmanuel a Francisco Cândico Xavier, no livro Caminho, Verdade e Vida)
Nós conhecemos, de fato, Jesus de Nazaré? Estabelecemos sintonia com o Rabi da Galileia? Na citação acima, Emmanuel é enfático quando nos alerta que a renovação da alma ocorre para os que praticam os ensinamentos de Jesus. Buscamos novas mensagens quando sequer compreendemos as antigas. É importante não somente conhecer o Evangelho de Jesus, mas praticá-lo em todos os momentos. Conforme nos orienta Emmanuel, apenas os que ouvem os ensinamentos do Mestre estarão transformados. Ouvir com a alma, com o coração, sem ansiedades, sem desesperos e sem sentimentos de culpa. Nós temos nossas limitações e Deus não nos pede mais do que somos capazes de cumprir. Portanto, é importante andar firme, em constante transformação, sempre alerta às orientações e ensinamentos do Divino Mestre e seus mensageiros, encarnados ou desencarnados. Porém, sem nos cobrar em demasia, para que permaneçamos fiéis aos nossos propósitos de redenção.
Muitas das vezes, almejamos as glórias da perfeição, sem querer abrir mãos dos prazeres mundanos, materiais. Queremos ouvir os cantos dos anjos, mas voltamos nossa atenção aos ruídos perniciosos que ainda nos atraem à atenção. Damos um passo rumo ao Pai, mas damos dois de retorno aos nossos erros, quando atraímos novas dívidas.
Frente às dúvidas que ainda se fazem presentes aos nossos corações, Emmanuel nos esclarece que “toda reforma terá de nascer no interior. Da iluminação do coração vem a verdadeira cristianização do lar, e do aperfeiçoamento das coletividades surgirá o novo e glorioso dia da Humanidade.” (Emmanuel, no livro Dissertações Mediúnicas)
Olhamos muito à nossa volta, buscando os erros dos nossos irmãos com o intuito, algumas vezes inconsciente, de nos elevarmos perante os tropeços dos outros. Dormimos na ignorância de buscar a reforma no exterior, nos comparando aos nossos irmãos de jornada.
Escolhemos a caridade, tomando como lema “fora da caridade, não há salvação”. Porém, muitas vezes nos esquecemos da caridade para com o próximo mais próximo, dentro do nosso lar. Fazemos parte de grupos que levam o amor aos que sofrem, mas não enxergamos as lágrimas dos que convivem conosco. Em certas ocasiões, procuramos atividades externas ao nosso lar como forma de fuga de nossas responsabilidades familiares.
Atentemos aos esclarecimentos de Lamennais, quando nos disse “sois todos deuses, quando percorreis a Terra em nome da caridade; mas sois filhos do mundo quando contemplais os sofrimentos atuais da Humanidade e não pensais em seu futuro divino. Homem! que aquela palavra seja lida por teu coração e não por teus olhos de carne. O Cristo não erigiu um Panteão: ergueu uma cruz. (ditado por Lamennais ao médium A. Didier, na Sociedade Espírita de Paris, Revista Espírita, fevereiro de 1862)
A caridade é, sem dúvida, a prática do amor, o que nos leva ao Pai. Porém, Deus lê as nossas intenções no mais profundo da nossa alma. Quando fazemos a caridade, lembremo-nos de que o mais abençoado somos nós mesmos. Diminuir a dor do outro pode enxugar as nossas próprias lágrimas, quando nossa intenção é servir aos desígnios do Criador e seguir as orientações sublimes do nosso Mestre maior.
O Cristo nos deixou o Seu Evangelho para nos orientar em nosso caminho ao Pai. Lamennais nos orientou a ler os ensinamentos de Jesus com o coração, para não utilizarmos a caridade para satisfação pessoal, egoísta, mas com o propósito único de distribuir o amor.
O encontro com Jesus ocorre todos os dias. Jesus se apresenta a nós a todos os momentos, não somente para aliviar a nossa dor, mas também para nos exortar a buscar o que Ele nos oferece para a nossa transformação. Lembremo-nos que Ele nos disse: “mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna.” (João 4:14)
Aonde encontramos a fonte de água viva? O Evangelho de Jesus é o fiel condutor de nossas almas. Com a sua prática, beberemos da fonte de água viva e jamais teremos sede.
Cabe a cada um de nós criar, em nós mesmos, as melhores condições para que sejamos os escolhidos. Não basta fazer a caridade, não basta conhecermos o Evangelho. É preciso que nos entreguemos, com fé, a Deus, nosso Pai. E pratiquemos o Evangelho em todos os locais, em todos os momentos. Às vezes, temos a ilusão de praticar a caridade, quando, no nosso íntimo, buscamos satisfação pessoal com a compra da entrada para o Reino de Deus.
Como disse Lamennais, “Cristo não erigiu um panteão: ergueu uma cruz”. Para que seu martírio não tenha sido em vão, cabe a cada um de nós buscar a nossa cruz e segui-Lo.
No Apocalipse, João nos esclarece que “Está cumprido. Eu sou o Alfa e o Omega, o princípio e o fim. A quem quer que tiver sede, de graça lhe darei da fonte da água da vida. (Apocalipse 21:6)
            A única água que matará a nossa sede é a oferecido por Jesus. Busquemos o Mestre, pratiquemos a caridade com o amor que nos é possível doar, e encontraremos a fonte da água viva. Sem culpas, sem ansiedade, comecemos a nossa reforma íntima na intimidade do lar, compreendendo que Deus nos deu uma oportunidade de reconciliarmo-nos com os nossos próximos, enquanto estamos no caminho com eles, conforme Jesus nos ensinou.

Reforma íntima e trabalho


            A Doutrina Espírita nos forneceu subsídios para compreender melhor o Evangelho do Cristo. Podemos interpretar as obras básicas do Espiritismo como sendo a linguagem utilizada por Deus para os que O buscam por meio da Ciência e da Filosofia.
            No entanto, não podemos nos esquecer de que o objetivo é a prática do amor, o consolo às almas em dor, o auxílio aos irmãos em dificuldade, sempre seguindo as orientações do Divino Mestre. A mensagem do Rabi é a luz que ilumina o caminho de retorno ao Pai Celeste, o encontro com o Reino de Deus, que está dentro de cada um de nós.
            No prefácio do livro Roteiro, Emmanuel nos esclarece:

“Em verdade, meu amigo, terás encontrado no Espiritismo a tua renovação mental.
O fenômeno terá modificado as tuas convicções.
As conclusões filosóficas alteraram, decerto, a tua visão do mundo.
Admites, agora, a imortalidade do ser.
Sentes a excelsitude do teu próprio destino.
Mas se essa transformação da inteligência não te reergue o coração com o aperfeiçoamento íntimo, se os princípios que abraças não te fazem melhor, à frente dos nossos irmãos da Humanidade, para que te serve o conhecimento? Se uma força superior te não educa as emoções, se a cultura te não dirige para a elevação do caráter e do sentimento, que fazes do tesouro intelectual que a vida te confia?”


            Já vislumbramos a nossa renovação? Já temos convicção da vida após a morte, da comunicabilidade dos espíritos e da reencarnação? Já sentimos que seremos, um dia, espíritos superiores?
            Porém, tudo o que o Mestre nos pede em troca é “se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me” (Lucas 9:23; Marcos 8:34; Mateus 16:24; O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XXIV, item 18).
            Buscamos benefícios para a nossa alma; almejamos o Reino de Deus para nós e nossos afins; desejamos permanecer entre os escolhidos. Recebemos muito, mas qual é a nossa contribuição para o bem comum e qual é o retorno que oferecemos ao Pai? Muitas vezes, aguardamos ansiosamente pelo expurgo para que a Terra fique “limpa” dos malfeitores. Porém, o Cristo espera que estendamos as nossas mãos aos que se encontram na ignorância moral, para que as mães não chorem por seus filhos em cativeiro.
            Emmanuel continua no capítulo 10 de Roteiro:
“A ciência construirá para o homem o clima do conforto e enriquecê-lo-á com os brasões da cultura superior; a filosofia auxiliá-lo-á com valiosas interpretações dos fenômenos em que a Eterna Sabedoria se manifesta, mas somente a fé, com os seus estatutos de perfeição íntima, consegue preparar nosso espírito imperecível para a ascensão universal.”
            Não basta receber informações sublimes das conquistas possíveis. A teoria, sem a prática, pode se tornar em um campo estéril. O trabalho é essencial para a profunda renovação de nosso interior, conforme Tiago nos alertou em sua Epístola (Tiago 2:18): “Mas alguém dirá: tu tens fé, e eu tenho obras; mostra-me essa tua fé sem as obras, e eu, com as obras, te mostrarei a minha fé”. A fé é a sublime sintonia com o Criador e Sua obra. Sem o trabalho sincero e devotado, não há como estabelecer contato íntimo com Deus.
            Irmãos, a Doutrina Espírita nos oferece a chave para a compreensão do Evangelho de Jesus e, consequentemente, para a prática do amor em toda a sua glória. Nossas atitudes, no entanto, serão a medida da nossa verdadeira modificação, no serviço irrestrito do amor. Juntemo-nos ao exército do Cristo, neguemo-nos a nós mesmos, tomemos a nossa cruz e sigamos ao Mestre, com trabalho, devoção e fé. Assim, descobriremos o Reino de Deus em nosso interior e seremos testemunhos vivos da renovação íntima.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

A voz de Deus


                Hoje, Deus falou comigo. Sua voz tocou o meu coração. Falou comigo por meio da linguagem do amor.
                A linguagem Dele é simples, direta. Não há necessidade de qualquer ritual para ouvi-Lo. Basta ficar atento à nossa volta. E eu estive atento.
                Num reencontro, Ele me disse que alguém que eu muito amo retornaria. E junto, os sentimentos mais profundos retornaram, também.
                Deus trouxe minha mãe para mim. Após quase seis meses de saudade, eu a vi e senti meu coração tremer. Foi como quando eu era pequeno, indefeso, necessitado de seu colo. E no primeiro abraço do reencontro, ela me envolveu e eu me entreguei.
                Foram momentos maravilhosos que Deus me proporcionou. Essa é a linguagem de Deus, a linguagem do amor.
                É uma voz profunda, que penetra na alma e de lá não sai. Que fica dentro do peito e traz a cura interior. A voz de Deus vem pela lembrança dos ensinamentos de Jesus e se faz presente em cada gesto. Foi a prática do Evangelho de Jesus.
                Eu ouvi a voz de Deus. E Ele continua falando comigo. E Ele continuará comigo por todos os meus dias.
                Obrigado Deus por me proporcionar o aprendizado do amor.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Breve desabafo


Sou espírita e tenho muitos amigos das mais diversas religiões. Fazemos estudo bíblico na minha casa, contando com irmãos evangélicos, católicos, espíritas. Fico triste quando dizem que o Espiritismo não é de Deus, pois somente Ele pode afirmar quem está ou não com Ele. Eu O busco em todos os momentos de minha vida. Entre o Evangelho do Cristo e qualquer outro conceito, eu fico com o Evangelho. Eu e a minha esposa estudamos a Bíblia, assim como nossos filhos. Algumas publicações, principalmente na internet são altamente tendenciosas e desrespeitosas. Apesar de alguns irmãos afirmarem que os espíritas não são de Deus e que os espíritas não acreditam no Cristo, como espírita eu afirmo categoricamente que a base, o fundamento da Doutrina Espírita é Cristão acima de tudo.
Vários irmãos confundem Espiritismo com práticas ritualísticas espiritualistas. Por exemplo, a Doutrina Espírita não contém nenhuma orientação à prática de cirurgias, assim como não basta um livro ser psicografado para ser considerado Espírita; o mesmo deve conter os princípios da Doutrina Espírita. Não basta haver intercâmbio com os espíritos para ser Espírita. As novelas que contém esse intercâmbio estão longe de ser Espíritas. Essa confusão é fruto da falta de estudo. A crítica pode existir, mas com critérios. Não podemos criticar pelo que ouvimos dizer, mas pelo que, de fato, conhecemos.
Jesus é o “caminho, a verdade e a vida”. Entre o Cristo e qualquer outro, eu fico com o Cristo.
Que a verdade prevaleça sempre. Jesus é a Luz do Mundo e somente Ele pode dizer quem O segue. Eu O sigo e tenho certeza da presença do Mestre em minha vida e na de meus familiares. E eu O busco incessantemente.
Que Deus abençoe a Humanidade.

sábado, 16 de junho de 2012

Doutrina Consoladora


“Disse-lhes outra parábola: O reino dos céus é semelhante ao fermento que uma mulher tomou e escondeu em três medidas de farinha, até ficar tudo levedado.”
Mateus 13:33

Nesta passagem, a mulher coloca a 1ª parte de fermento e espera a massa reagir. Quando a massa reage, está pronta para receber a 2ª parte. A massa cresce mais ainda e a mulher coloca a 3ª parte. A massa atinge, então, o ponto desejado desde o início do processo.
Na 1ª revelação, o foco estava em Moisés, o legislador do povo Hebreu. A Humanidade não estava preparada para uma religião puramente espiritual. Na 2ª revelação, o foco estava no CRISTO, o amor encarnado. Na 3ª revelação, o foco não estava em Kardec, mas no CRISTO, também, uma vez que o Divino Mestre encaminhou seus mensageiros para esclarecer a Humanidade da necessidade do retorno ao Cristianismo dos primeiros tempos. Allan Kardec foi o codificador da Doutrina Espírita, ou seja, ele organizou os ensinamentos que foram enviados pelos Espíritos Superiores ligados diretamente ao CRISTO. O foco, portanto, não foi em Kardec. Muitos dizem que os espíritas não seguem ao Cristo, mas a Kardec. Quem afirma isso, ou não tem o menor conhecimento da Doutrina Espírita, ou age de má fé. Eu prefiro pensar na 1ª opção. Por exemplo, não basta uma obra ser psicografada para ser Espírita. Há muitas obras que foram ditadas por espíritos e que não são Espíritas.
A Doutrina Espírita não veio para os espíritas, mas para a Humanidade. Os espíritas adotaram a Doutrina Espírita como meio de alcançar o CRISTO. Portanto, as mensagens esclarecedoras e consoladoras são são exclusivas para os espíritas. Porém, os espíritas as aceitam como orientações divinas para o retorno ao Evangelho do Cristo.
Dentre as inúmeras mensagens dos espíritos, a obra “O Evangelho Segundo o Espiritismo” (que não é substituto do Evangelho do Cristo e, muito menos, o Evangelho dos espíritas, como muitos dizem, mas o Evangelho interpretado por espíritos superiores) traz, em seu capítulo 1, a mensagem de um espírito que se autodenomina “Um Espírito Israelita”. Diz ele:
O povo Hebreu foi o instrumento de que Deus se serviu para fazer sua revelação por Moisés e pelos profetas. (1ª parte do fermento)
Continua ele:
O Cristo foi o iniciador da moral mais pura e mais sublime: a moral evangélico-cristã que deve renovar o mundo, aproximar os homens e torná-los irmãos. (2ª parte do fermento)
E continua, ainda:
São chegados os tempos em que as ideias morais devem se desenvolver para cumprir os progressos que estão nos desígnios de Deus. (3ª parte do fermento)

No século XIX, a Humanidade ocidental vivia uma onda de materialismo muito grande, fugindo dos ensinamentos de Jesus. A Doutrina Espírita veio trazer o Cristo de volta. A mensagem anterior esclarece, em partes, o plano de salvação para a Humanidade.
Há uma renovação da necessidade de buscar a Verdade nas Escrituras. Os Espíritos Superiores nos exortam à leitura da Bíblia como forma de libertação pela reforma íntima. Vejamos algumas passagens:

Livro dos Espíritos – questão 625: Qual é o tipo mais perfeito que Deus ofereceu ao homem para lhe servir de guia e de modelo?
Resposta: Vede Jesus.

Livro dos Espíritos – questão 59: Considerações e concordâncias bíblicas sobre a Criação (o Gênesis).

Livro dos Espíritos – questão 275: Resposta: Lê os Salmos.

Livro dos Espíritos – questão 560: Resposta: Como está dito no Eclesiastes ...

Livro O Consolador – Emmanuel (1941):
267 Qual a posição do Velho Testamento no quadro de valores da educação religiosa do homem?
- ... deve ser considerado como a pedra angular, ou como a fonte máter da revelação divina.

282 –Se devemos considerar o Velho Testamento como a pedra angular da Revelação Divina, qual a posição do Evangelho de Jesus na educação religiosa dos homens?
-O Velho Testamento é o alicerce da Revelação Divina. O Evangelho é o edifício da redenção das almas. Como tal, devia ser procurada a lição de Jesus, não mais para qualquer exposição teórica, mas visando cada discípulo o aperfeiçoamento de si mesmo, desdobrando as edificações do Divino Mestre no terreno definitivo do Espírito.

Portanto, as obras da Doutrina Espírita deixam claro que o único caminho para a libertação é o Cristo. Buscar ao Cristo por meio do Seu Evangelho é aceitá-Lo como o Divino Mestre que nos guia ao Reino dos Céus, de volta ao Pai, sendo Jesus o Bom Pastor e a Luz do Mundo.

Prefácio de "O Evangelho Segundo o Espiritismo"


Gostaria de compartilhar com todos uma mensagem que me auxilia muito a me encontrar com o Cristo e a buscar o Evangelho do Cristo em minhas ações. Na maioria das vezes, eu falho, mas minha busca é incessante e eu sei que Ele está comigo nessa jornada. 
Antes, gostaria de esclarecer que a obra "O Evangelho Segundo o Espiritismo" NÃO é o Evangelho dos Espíritas ou um substituto aos Evangelhos. Essa obra é uma interpretação dos Evangelhos e uma das inúmeras formas que o Cristo utiliza para buscar as ovelhas desgarradas.
Vamos à mensagem:


“Os Espíritos do Senhor, que são as virtudes dos céus, como um imenso exército que se movimenta desde que dele recebeu o comando, espalham-se sobre toda a superfície da Terra; semelhantes às estrelas cadentes, vêm iluminar o caminho e abrir os olhos aos cegos.
Eu vos digo, em verdade, são chegados os tempos em que todas as coisas devem ser restabelecidas em seu sentido verdadeiro para dissipar as trevas, confundir os orgulhosos e glorificar os justos.
As grandes vozes do céu ressoam como o som da trombeta, e os coros dos anjos se reúnem. Homens, nós vos convidamos ao concerto divino; que vossas mãos tomem a lira; que vossas vozes se unam, e que num hino sagrado se estendam e vibrem de uma extremidade a outra do Universo.
Homens, irmãos a quem amamos, estamos junto de vós; amai-vos também uns aos outros, e dizei do fundo do vosso coração, fazendo as vontades do Pai que está no céu: ‘Senhor! Senhor!’ e podereis entrar no reino dos céus.”
O Espírito de Verdade
Prefácio de "O Evangelho Segundo o Espiritismo"

domingo, 29 de abril de 2012

O Evangelho de Jesus em nosso lar


            Sabemos que não basta a fé em Deus. A prática do Evangelho é imprescindível para que permaneçamos firmes no caminho que nos leva ao Criador.
            Muitas das vezes, buscamos nos trabalhos voluntários a oportunidade de aprendizado e de renovação interior. Sem dúvida, tal atividade é de fundamental importância para os desígnios de Deus.
            Porém, se pudéssemos interrogar aos que convivem conosco na intimidade do lar o que eles desejam de nós, uma das solicitações mais sinceras provavelmente seria: por favor, me ajude a não errar mais.
            Nesse sentido, a prática do Evangelho no lar assume importância máxima na renovação dos ensejos cristãos.
            Vejamos o que Emmanuel, no seu livro Renúncia, nos ensina por meio de Alcíone, espírito da mais alta envergadura moral e protagonista dos mais profundos ensinamentos:
            “Tenho a convicção de que, em toda parte, estamos na casa de Nosso Pai e estou certa de que virá o dia em que tomaremos por templo de Deus o mundo inteiro. Mas, em nossa atual condição, não nos custa reconhecer o proveito das igrejas e o caráter sagrado do culto doméstico, no que concerne aos ensinos de Jesus. Também no conforto de nossas casas há sempre ótima disposição para atender aos nossos familiares enfermos, mas isso não proscreve a necessidade dos hospitais. Os pais amorosos ensinam sempre os filhinhos; mas nem por isso deixam de ser úteis as escolas. Em matéria de fé, nossa estranheza radica na viciação dos deveres religiosos. Costumamos atribuir ao sacerdote o que nos compete realizar.  [...] ... o lar é o templo mais nobre, porque oferece oportunidade diária de esforço e adoração. Cada criatura de nossa convivência, sob o mesmo teto, representa um altar para o culto da bondade, do carinho, da compreensão. [...] Acredito que o lar seja o ninho onde o espírito cria em si mesmo, com o auxílio do Pai Celestial, as asas da sabedoria e do amor, com que há de conhecer, mais tarde, as sendas divinas do Universo.”
            Não podemos fugir às nossas responsabilidades, atribuindo a outros o que nos compete. A evangelização é importante, mas não substitui a vivência evangélica diária. O entendimento da reencarnação, da lei de causa e efeito, das causas das manifestações dos espíritos, da ciência espírita, entre outros, não passa de futilidade se não for acompanhado de atitudes verdadeiramente cristãs, pautadas no Evangelho do Mestre Jesus de Nazaré. E tais atitudes se evidenciam primeiramente no lar.
            Portanto, vamos dar as mãos aos que compartilham conosco das experiências da Terra, sob o mesmo teto, e pratiquemos o estudo do Evangelho de Jesus pelo menos uma vez por semana. E solicitemos ao doce e meigo Rabi que nos auxilie na prática dos Seus sublimes ensinamentos em todos os momentos da nossa vida.

domingo, 22 de abril de 2012

Carta de Joanna

Gostaria de compartilhar com vocês uma das cartas que Joanna de Ângelis enviou à nossa sociedade, por meio do médium Divaldo Pereira Franco. Não irei comentar e tampouco modificar, mas apenas compartilhar tal qual a recebi por e-mail. Segue:



ANENCEFALIA

(Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, na reunião mediúnica da noite de 11 de abril de 2012, quando o Supremo Tribunal de Justiça, estudava a questão do aborto do anencéfalo, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.)

Nada no Universo ocorre como fenômeno caótico, resultado de alguma desordem que nele predomine. O que parece casual, destrutivo, é sempre efeito de uma programação transcendente, que objetiva a ordem, a harmonia.
De igual maneira, nos destinos humanos sempre vige a Lei de Causa e Efeito, como responsável legítima por todas as ocorrências, por mais diversificadas apresentem-se.
O Espírito progride através das experiências que lhe facultam desenvolver o conhecimento intelectual enquanto lapida as impurezas morais primitivas, transformando-as em emoções relevantes e libertadoras.
Agindo sob o impacto das tendências que nele jazem, fruto que são de vivências anteriores, elabora, inconscientemente, o programa a que se deve submeter na sucessão do tempo futuro.
Harmonia emocional, equilíbrio mental, saúde orgânica ou o seu inverso, em forma de transtornos de vária denominação, fazem-se ocorrência natural dessa elaborada e transata proposta evolutiva.
Todos experimentam, inevitavelmente, as consequências dos seus pensamentos, que são responsáveis pelas suas manifestações verbais e realizações exteriores.
Sentindo, intimamente, a presença de Deus, a convivência social e as imposições educacionais, criam condicionamentos que, infelizmente, em incontáveis indivíduos dão lugar às dúvidas atrozes em torno da sua origem espiritual, da sua imortalidade.
Mesmo quando se vincula a alguma doutrina religiosa, com as exceções compreensíveis, o comportamento moral permanece materialista, utilitarista, atado às paixões defluentes do egotismo.
Não fosse assim, e decerto, muitos benefícios adviriam da convicção espiritual, que sempre define as condutas saudáveis, por constituírem motivos de elevação, defluentes do dever e da razão.
Na falta desse equilíbrio, adota-se atitude de rebeldia, quando não se encontra satisfeito com a sucessão dos acontecimentos tidos como frustrantes, perturbadores, infelizes...
Desequipado de conteúdos superiores que proporcionam a autoconfiança, o otimismo, a esperança, essa revolta, estimulada pelo primarismo que ainda jaz no ser, trabalhando em favor do egoísmo, sempre transfere a responsabilidade dos sofrimentos, dos insucessos momentâneos aos outros, às circunstâncias ditas aziagas, que consideram injustas e, dominados pelo desespero fogem através de mecanismos derrotistas e infelizes que mais o degrada, entre os quais o nefando suicídio.
Na imensa gama de instrumentos utilizados para o autocídio, o que é praticado por armas de fogo ou mediante quedas espetaculares de edifícios, de abismos, desarticula o cérebro físico e praticamente o aniquila...
Não ficariam aí, porém, os danos perpetrados, alcançando os delicados tecidos do corpo perispiritual, que se encarregará de compor os futuros aparelhos materiais para o prosseguimento da jornada de evolução.
É inevitável o renascimento daquele que assim buscou a extinção da vida, portando degenerescências físicas e mentais, particularmente a anencefalia.
Muitos desses assim considerados, no entanto, não são totalmente destituídos do órgão cerebral.
Há, desse modo, anencéfalos e anencéfalos.
Expressivo número de anencéfalos preserva o cérebro primitivo ou reptiliano, o diencéfalo e as raízes do núcleo neural que se vincula ao sistema nervoso central…
Necessitam viver no corpo, mesmo que a fatalidade da morte após o renascimento, reconduza-os ao mundo espiritual.
Interromper-lhes o desenvolvimento no útero materno é crime hediondo em relação à vida. Têm vida sim, embora em padrões diferentes dos considerados normais pelo conhecimento genético atual...
Não se tratam de coisas conduzidas interiormente pela mulher, mas de filhos, que não puderam concluir a formação orgânica total, pois que são resultado da concepção, da união do espermatozoide com o óvulo.
Faltou na gestante o ácido fólico, que se tornou responsável pela ocorrência terrível.
Sucede, porém, que a genitora igualmente não é vítima de injustiça divina ou da espúria Lei do Acaso, pois que foi corresponsável pelo suicídio daquele Espírito que agora a busca para juntos conseguirem o inadiável processo de reparação do crime, de recuperação da paz e do equilíbrio antes destruído.
Quando as legislações desvairam e descriminam o aborto do anencéfalo, facilitando a sua aplicação, a sociedade caminha, a passos largos, para a legitimação de todas as formas cruéis de abortamento. ...
E quando a humanidade mata o feto, prepara-se para outros hediondos crimes que a cultura, a ética e a civilização já deveriam haver eliminado no vasto processo de crescimento intelecto-moral.
Todos os recentes governos ditatoriais e arbitrários iniciaram as suas dominações extravagantes e terríveis, tornando o aborto legal e culminando, na sucessão do tempo, com os campos de extermínio de vidas sob o açodar dos mórbidos preconceitos de raça, de etnia, de religião, de política, de sociedade...
A morbidez atinge, desse modo, o clímax, quando a vida é desvalorizada e o ser humano torna-se descartável.
As loucuras eugênicas, em busca de seres humanos perfeitos, respondem por crueldades inimagináveis, desde as crianças que eram assassinadas quando nasciam com qualquer tipo de imperfeição, não servindo para as guerras, na cultura espartana, como as que ainda são atiradas aos rios, por portarem deficiências, para morrer por afogamento, em algumas tribos primitivas.
Qual, porém, a diferença entre a atitude da civilização grega e o primarismo selvagem desses clãs e a moderna conduta em relação ao anencéfalo?
O processo de evolução, no entanto, é inevitável, e os criminosos legais de hoje, recomeçarão, no futuro, em novas experiências reencarnacionistas, sofrendo a frieza do comportamento, aprendendo através do sofrimento a respeitar a vida…
Compadece-te e ama o filhinho que se encontra no teu ventre, suplicando-te sem palavras a oportunidade de redimir-se.
Considera que se ele houvesse nascido bem formado e normal, apresentando depois algum problema de idiotia, de hebefrenia, de degenerescência, perdendo as funções intelectivas, motoras ou de outra natureza, como acontece amiúde, se também o matarias?
Se exercitares o aborto do anencéfalo hoje, amanhã pedirás também a eliminação legal do filhinho limitado, poupando-te o sofrimento como se alega no caso da anencefalia.
Aprende a viver dignamente agora, para que o teu seja um amanhã de bênçãos e de felicidade.

Joanna de Ângelis

Gestação de anencéfalo e a opção pela vida

            “Por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), mulheres que decidem abortar fetos anencefálicos e médicos que provocam a interrupção da gravidez não cometem crime. A maioria dos ministros entendeu que um feto com anencefalia é natimorto e, portanto, a interrupção da gravidez nesses casos não é comparada ao aborto, considerado crime pelo Código Penal.” (Notícia veiculada pela Agência Estado em 12/04/2012, às 21h10).
            Embora a decisão do STF exija no mínimo dois laudos médicos atestando a anencefalia para que a interrupção da gravidez possa ser executada, há diversas consequências importantes dessa decisão. E não se trata simplesmente de justificativas religiosas, mas filosóficas. A ética exige que todos tenham o direito à defesa de seus princípios. Qual é a defesa dos rejeitados pelas mães que decidem pela interrupção da gravidez? São vidas desprezadas no local que mais deveria haver amor, que é o útero materno. Na expectativa de gerar um potencial natimorto ou inválido, alguns pais decidem pela interrupção da gestação. Seria como amar a um filho mais do que a outro pelas diferenças naturais entre ambos. Se um dos filhos tiver um acidente, por exemplo, e ficar inválido, os pais tomarão a mesma decisão? Qual é a diferença, uma vez que a Ciência ainda não estabeleceu critérios definitivos sobre o princípio da vida humana?
Não nos cabe julgar a quem quer que seja. Assim, vamos compreender alguns dos ensinamentos que podem nos ajudar a devolver à sociedade brasileira a justiça de Deus, uma vez que a Sua Lei está acima de todas e preza sempre pela vida. Alguns podem afirmar que se trata de um apelo religioso. Outros podem afirmar que se trata de uma Lei Soberana. Entenda como queira, a Lei existe e deve ser cumprida.
Os espíritos superiores, mentores das obras do Cristo no advento da Doutrina Espírita, nos esclarecem, em O Livro dos Espíritos, questões 344 e 358 que a alma se une ao corpo no momento da concepção e que o abortamento voluntário é crime, uma vez que há transgressão das Leis de Deus. Ainda nos orientam que “a mãe, ou qualquer outra pessoa, cometerá sempre crime tirando a vida à criança antes de nascer, porque está impedindo, à alma, de suportar as provas das quais o corpo deveria ser o instrumento.” Em O Consolador, livro publicado em 1941, Emmanuel nos esclarece que “desde o instante primeiro de tais manifestações, a entidade espiritual experimenta os efeitos de sua nova condição”. Ou seja, há uma enorme importância da gestação para o restabelecimento do equilíbrio espiritual.
Na Bíblia, em Êxodo 20:13, há uma orientação direta: “Não matarás”. Em Salmos 139:13-14, há uma clara citação da intervenção divina na formação de nosso corpo e na ligação do espírito ao corpo físico: “Pois tu formaste o meu interior, tu me teceste no seio de minha mãe. Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem.”. Paulo, em 1 Coríntios 3:16-17, nos orienta sobre o caráter sagrado do nosso corpo: “Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá; porque o santuário de Deus, que sois vós, é sagrado”.
            Joanna de Ângelis, em sua carta psicografada por Divaldo P. Franco em 11 de abril de 2012, nos atenta para a importância da preservação da gestação de anencéfalos, pois seus espíritos necessitam da experiência da gestação para expiar seus desvarios, principalmente o suicídio. A mãe, em sua grande maioria, seria a corresponsável pelo suicídio daquele que habita seu ventre, que estão juntos, não pelo acaso, mas pela justiça divina que proporciona o reencontro como “processo de reparação do crime, de recuperação da paz e do equilíbrio antes destruído”. Ainda segundo Joanna, os povos primitivos assassinavam as crianças portadoras de qualquer tipo de imperfeição, pois não serviam para a guerra. Há distinção entre as aprovações de abortos nos dias de hoje, sob a legitimidade da lei humana, e o assassinato de bebês portadores de necessidades especiais? Poderíamos dizer que a responsabilidade hoje é maior, uma vez que há maior conhecimento das consequências de tais atitudes.
Construímos hoje o nosso amanhã. A sociedade é responsável pelas decisões de seus governos, uma vez que peca por omissão. Uma sociedade construída sem as bases morais do Cristo se revelará perversa e autoritária, com desmandos e injustiças sem limites.
O único caminho para o amadurecimento seguro da sociedade é o Evangelho de Jesus, pois Ele disse (João 14:6): “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim”. Não basta acreditar em Jesus. É preciso agir segundo os Seus ensinamentos. É necessário tomarmos atitudes coerentes. Não podemos mais nos apresentar como irmãos apenas nas casas de oração. Precisamos sair da nossa zona de conforto e apresentar a Boa Nova do Cristo a todos. Não somente em palavras, mas principalmente em atitudes.
Em suas últimas palavras (Atos 1:8), após a Sua ressurreição, Jesus nos deu uma orientação direta e inquestionável: “mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra”. Nesse momento delicado de nossa sociedade, vamos nos apresentar como testemunhos do Cristo e lutar pela vida de nossos irmãos. Não fiquemos parados. Eles clamam por socorro e cabe a nós, seguidores do Cristo, lhes apresentar a maior arma contra a injustiça humana: o Evangelho de Jesus.

sábado, 3 de março de 2012

Porque buscar a verdade?

“Disse, pois, Jesus aos judeus que haviam crido nele: se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8:31-32).
Que liberdade é essa que Jesus nos oferecia pelo conhecimento da verdade?
 Muitas das vezes, nos consideramos livres. Porém, vejamos alguns casos:
1)      Todos nós conhecemos pelo menos uma pessoa que fica irada quando contrariada, que fica com uma raiva incontrolável, a qual não consegue conter. Se não consegue conter, então é porque está sob domínio da ira. Se está sob domínio da ira, é seu escravo e, portanto, não está livre.
2)      Todos nós conhecemos pelo menos uma pessoa que guarda mágoa ou rancor por algo que lhe fizeram e sofre por causa disso. Sofre por achar que foi injustiçada ou por não conseguir que os outros compreendam o que ocorreu. Sofre por melindres e por não conseguir enxergar o próprio engano. Essa pessoa torna-se uma escrava, uma refém, de seus próprios sentimentos, ou seja, não está livre.
3)      Todos nós conhecemos pelo menos uma pessoa que se tornou depressiva por não se sentir aceita pela sociedade ou por um grupo, a ponto de criar um sentimento de auto-piedade que a leva a mutilar seus pensamentos elevados e que fica, portanto, escrava de seus próprios pensamentos negativos, ou seja, não está livre.
E a grande maioria dos habitantes da Terra se identificará com pelo menos um desses casos, sem contar os que não foram relatados aqui.
Então, qual liberdade Jesus nos apresentou na passagem apresentada em João (capítulo 8)? Foi justamente a liberdade pelo conhecimento da verdade.
E, como podemos conhecer a verdade? Por meio do estudo e da prática do bem.
O estudo sério, constante, permite que desenvolvamos a segurança pelo conhecimento. A prática nos fornece a sabedoria.
Não basta o estudo, assim como não basta o trabalho. Sigamos a orientação de Tiago (capítulo 2, versículo 8): 

“Tu tens fé e eu tenho obras; mostra-me essa tua fé sem as obras e eu, com as obras, te mostrarei a minha fé”.

Seguir Jesus é ter consciência plena dos motivos que nos levam a segui-Lo, é agir no bem sabendo porque devemos agir assim.
O primeiro passo para conhecer a verdade é estudar o Evangelho de Jesus. Não me refiro a ler, mas a se aprofundar nos ensinamentos do Mestre, inclusive na prática do amor. E isso independe da fé professada. Condenar os que professam uma fé, os que seguem uma religião, distinta da que professamos é uma atitude anti-cristã.
Paulo nos alerta (Filipenses 1:27) a seguir Jesus, independente da religião que siga:

 “Vivei, acima de tudo, por modo digno do Evangelho do Cristo, para que, ou indo ver-vos ou estando ausente, ouça no tocante a vós outros, que estais firmes em um só espírito, como uma só alma, lutando juntos pela fé evangélica”. 

Paulo não pede para que professemos esta ou aquela fé, para que sigamos esta ou aquela Igreja, mas nos convoca para, “acima de tudo”, agirmos como verdadeiros cristãos.
As interpretações dos livros sagrados podem ser diferentes, mas a essência é a mesma: divulgar e perpetuar os ensinamentos do Mestre Jesus e agir conforme pregamos. Unidos pelo Cristo, mesmo professando fés distintas, o bem se espalhará por todo o Mundo. Nos aprofundemos nos ensinamentos do Mestre e, assim, conheceremos a verdade e a verdade nos libertará. Sigamos Jesus em toda a Sua essência, unamo-nos em Cristo e glorifiquemos a Deus, nosso Pai.

quinta-feira, 1 de março de 2012

O Salmo 39

Foi meu aniversário de 39 anos. Eu havia lido que uma prática judáica era (ou é, ainda) ler o Salmo de número correspondente à idade. Então, decidi seguir essa tradição e à orientação da questão 275 de O Livro dos Espíritos, bem como à orientação de Jesus quando disse "Não penseis que vim revogar a lei ou os profetas; não vim para revogar, vim para cumprir". Para esse ano, até o meu próximo aniversário, lerei rigorosamente todos os dias o Salmo 39, o qual gostaria de compartilhar com todos os leitores desse blog.

"Salmo 39
1. Disse comigo mesmo: guardarei os meus caminhos, para não pecar com a língua; porei mordaça à minha boca, enquanto estiver na minha presença o ímpio.
2. Emudeci em silêncio, calei acerca do bem, e a minha dor se agravou.
3. Esbraseou-se-me no peito o coração; enquanto eu meditava, ateou-se o fogo; então, disse eu com a própria língua:
4. Dá-me a conhecer, Senhor, o meu fim e qual a soma dos meus dias, para que eu reconheça a minha fragilidade.
5. Deste aos meus dias o comprimento de alguns palmos; à tua presença o prazo de minha vida é nada. Na verdade, todo homem, por mais firme que esteja, é pura vaidade.
6. Com efeito, passo o homem como uma sombra; em vão se inquieta; amontoa tesouros e não sabe quem os levará.
7. E eu, Senhor, que espero? Tu és a minha esperança.
8. Livra-me de todas as minhas iniquidades; não me faças o opróbrio do insensato.
9. Emudeço, não abro os lábios porque tu fizeste isso.
10. Tira de sobre mim o teu flagelo; pelo golpe de tua mão, estou consumido.
11. Quando castigas o homem com repreensões, por causa da iniquidade, destróis nele, como traça, o que tem de precioso. Com efeito, todo homem é pura vaidade.
12. Ouve, Senhor, a minha oração, escuta-me quando grito por socorro; não te emudeças à vista de minhas lágrimas, porque sou forasteiro à tua presença, peregrino como todos os meus pais o foram.
13. Desvia de mim o olhar, para que eu tome alento, antes que eu passe e deixe de existir.
"
(Versão de João Ferreira de Almeida, 2a. ed, Sociedade Bíblica do Brasil, 2009)

Tenho certeza de que interpretarei de formas diferentes com o passar dos dias. Hoje, entendo que não há limites para falar de Deus. Tomo a divulgação do bem que Deus faz em minha vida como norma para o trabalho para o qual Ele me designou.

Isso é o que eu gostaria de compartilhar, hoje, tomando os leitores amigos como testemunhas de meu compromisso.

Fiquem com Deus.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

O verdadeiro espírita

O Espiritismo é para todos os que se simpatizam com os princípios da Doutrina (existência de Deus; imortalidade da alma; pluralidade das existências; pluralidade dos mundos habitados; comunicabilidade dos espíritos) e por agirem em pleno acordo com os mesmos. “O Espiritismo é uma doutrina filosófica de efeitos religiosos, como qualquer filosofia espiritualista, pelo que forçosamente vai ter às bases fundamentais de todas as religiões: Deus, a alma e a vida futura. Mas, não é uma religião constituída, visto que não tem culto, nem rito, nem templos e que, entre seus adeptos, nenhum tomou, nem recebeu o título de sacerdote ou de sumo-sacerdote. Estes qualificativos são de pura invenção da crítica” (capítulo “Ligeira resposta aos detratores do Espiritismo, Obras Póstumas – grifos nossos).

Sendo uma doutrina filosófica, é exigido de seus membros o questionamento racional dentro de uma metodologia científica, com a busca da justificativa de suas conceitos, para que suas crenças não sejam banais. A banalização dos ensinamentos espíritas pode levar muitos adeptos à se afastar da prática do bem e, consequentemente, de Deus. Grande parte das críticas dos opositores do Espiritismo são alimentadas por incoerências ditas pelos que se dizem seguidores da Doutrina Espírita. Esses pseudo-espíritas entram em contradição com os mais puros ensinamentos de Jesus. Os que criticam o Espiritismo com base nos pseudo-espíritas devem buscar outras fontes, tais como as obras básicas da Doutrina, e não opiniões pessoais dos seus adeptos. Por exemplo, quando eu tenho alguma dúvida sobre a Igreja Católica, eu não pergunto a qualquer seguidor, mas aos que realmente a professam.

Nesse sentido, segundo Kardec (item 28, capítulo III, O Livro dos Médiuns), há uma classe de espíritas, que ele denominou de exaltados, que “é mais nociva do que útil à causa do Espiritismo”. São os que possuem uma confiança cega no mundo invisível, o que os leva a aceitar “com extrema facilidade e sem verificação, aquilo cujo absurdo, ou impossibilidade a reflexão e o exame demonstrariam” (grifos nossos). Essa confiança cega é sutil e todos os espíritas devem estar atentos, uma vez que podem atingir tanto o que é novato na Doutrina, quanto o que já a professa desde longa data. A verificação e estudo sobre os fatos fundamenta a fé que estabelece a ligação com Deus.

Embora tenha efeitos religiosos, o verdadeiro caráter do Espiritismo é “o de uma ciência, e não de uma religião. (…) Cada um, sem dúvida, pode fazer uma religião de suas opiniões, interpretar à vontade as religiões conhecidas, mas daí à constituição de uma nova Igreja, há distância” (capítulo “Terceiro diálogo – o padre", O que é o Espiritismo – grifos nossos). Uma vez que possui características de ciência, o espírita deve basear seus estudos dentro de uma metodologia adequada e em conformidade com as metodologias científicas.

Não cabe ao espírita, portanto, aceitar a existência de Deus, a imortalidade da alma, a pluralidade das existências, a pluralidade dos mundos habitados e a comunicabilidade dos espíritos, sem uma justificativa. Sem justificativa, os princípios da Doutrina Espírita são meras crenças, caracterizadas como “fé cega”, e estão sujeitas à serem substituídas por qualquer princípio fundamentado, inclusive os materialistas.

Aos espíritas exaltados, cujos argumentos não possuem fundamentos racionais, mas apenas uma confiança cega, cabe a responsabilidade de colocar um trabalho sério em descrédito. Portanto, suas ações trazem malefícios a todos os que são adeptos da Doutrina Espírita, inclusive aos que aceitam as opiniões de qualquer um que se diga adepto do Espiritismo.

O verdadeiro espírita, portanto, é aquele que busca a razão para a sua fé. A fé raciocinada não é a compreensão total de um fenômeno, mas saber que o mesmo ocorre por causas naturais e que Deus permite a todos a sua explicação.

“O Espiritismo bem compreendido” leva seu adepto a perdoar e esquecer as ofensas, a ser indulgente com as fraquezas alheias, a não procurar os defeitos alheios, a estudar as próprias imperfeições e trabalhar em combatê-las, a não procurar valorizar nem seu espírito, nem seus talentos, às expensas de outrem, a não se envaidecer, a usar sem abusos os bens que lhe são concedidos, a tratar a todos com benevolência, a compreender os deveres de sua posição, a respeitar em seus semelhantes todos os direitos dados pelas leis da Natureza, em outras palavras, a seguir Jesus de Nazaré, o Cristo, e ter atitudes condizentes com Seus ensinamentos (capítulo XVII, O Evangelho segundo o Espiritismo). Esse é o verdadeiro espírita.

Portanto, para ser espírita não basta acreditar em reencarnação e em espíritos, que são questões secundárias. É preciso estabelecer sintonia com Deus e seguir Jesus. A justificativa racional com bases científicas faz com que as crenças sejam estabelecidas como verdade (levando em consideração que não temos a verdade absoluta). Para que uma verdade seja derrubada, é necessário uma explicação mais bem fundamentada. Logo, a justificativa leva à fé raciocinada e, consequentemente, a conceitos sólidos.

Espíritas, agir em conformidade com os ensinamentos do Cristo é buscar a certeza de suas orientações; é buscar a sabedoria que leva à prática do bem; é buscar a vida plena. Não em teoria, mas na prática, com obras e fé que levam a Deus.

Não nos cabe mais a vaidade pelos anos de Espiritismo. Mas, o trabalho incessante para que o Evangelho de Jesus se espalhe por toda a Terra e seja constituído como norma de conduta para toda a Humanidade. Busca, pois, o Cristo, e fundamenta seus conceitos. Assim, encontrará o consolo do conhecimento sincero de que Jesus é “o caminho, a verdade e a vida” (João 14:6). A verdade é encontrada pela verificação e pela justificativa. O estudo incessante nos leva à vida, tal qual Jesus nos mostrou. Ao agir em conformidade com os ensinamentos VERDADEIRAMENTE Espíritas, estaremos agindo segundo os ensinamentos de Jesus. Sigamos o Mestre. Aceitemos a Jesus como O que nos levará de retorno ao Pai.

Questões espíritas.

Basta acreditar em espíritos para ser considerado espírita? E pode se dizer espírita o que mantém contato com os desencarnados? Isso é o que muita gente afirma, inclusive dizendo que algumas novelas que passam na TV são espíritas apenas porque apresentam comunicação entre encarnados e desencarnados. Também afirmam que basta um livro ser psicografado para ser caracterizado como obra espírita.

Quem afirma isso mostra total desconhecimento da Doutrina Espírita. Vejamos o que afirma Kardec no capítulo III , item 19, de O Livro dos Médiuns: “no Espiritismo, a questão dos Espíritos é secundária e consecutiva. (…) Não sendo os Espíritos senão as almas dos homens, o verdadeiro ponto de partida é a existência da alma” (grifos nossos). É secundária por não ser prioritária e é consecutiva por vir após algumas considerações, tal como a questão da existência da alma (cabe ressaltar que a existência de Deus é algo acima de qualquer coisa). A existência da alma é, portanto, o que motiva o estudo das obras da codificação espírita, uma vez que o principal é a mudança íntima, ou seja, elevar a alma ao Criador.

O espírita não acredita em comunicação com os mortos e segue as orientações de Moisés, segundo Deuteronômio 18. Ou seja, as obras espíritas orientam a NÃO procurar adivinhadores ou feiticeiros, e a não evocar os mortos. Caso sejam encontradas obras ou palestras ou textos que alimentem essas abominações, certamente não serão espíritas. As novelas da TV que abordam vida após a "morte" também NÃO SÃO espíritas. Não basta acreditar em espíritos para ser espírita. Espírita é o que estuda as obras da codificação espírita. O que aceita procurar adivinhadores ou feiticeiros NÃO É espírita. Para compreender o que digo, leia a Introdução de "O Livro dos Espíritos".

O espírita aceita a comunicação com os VIVOS. Vivos segundo Mateus 22:31-32. Vivos em espírito, eternos. Lembro que não é a comunicação o principal da Doutrina Espírita, mas a mudança íntima, a elevação, o retorno para Deus.

Não basta uma obra ser psicografada para ser considerada espírita. Para ser espírita, a obra deve ser coerente com as obras básicas da Doutrina Espírita e, consequentemente, com o Antigo e com o Novo Testamentos. Há várias obras ditas espíritas nas livrarias do mundo todo. Porém, de espírita não têm absolutamente nada. São pura fantasia e não estão em acordo com os princípios básicos da Doutrina Espírita. Aquele que se diz espírita e diz que tais obras são espíritas pratica a falsidade, seja deliberadamente (e terá que arcar com sua irresponsabilidade), seja por ignorância (e terá que se redimir pela sua falta).

Antes de associar curas espirituais, obras psicografadas e telenovelas ao Espiritismo, é necessário estudar as obras do Espiritismo. Senão, aquele que critica corre o risco de agir contra os ensinamentos de Jesus. Tais associações não fazem o menor sentido e beiram à crítica sem fundamentos.

Portanto, podemos criticar, mas com justificativas, dentro de um debate amplo, fraterno, sincero, destituídos de qualquer preconceito. 

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Educação para um mundo melhor

Na primeira infância, tomamos consciência de estarmos vivos. Porém, a tomada de consciência de nossa natureza humana, de seres inteligentes, com capacidade de realizações individuais, é lenta, gradual e, em certos casos, sequer se completa nessa encarnação.
Quantas vezes paramos para retomar a consciência? Quantas vezes refletimos se estamos ou não conscientes? Ao observar a Natureza ao nosso redor, ao observar o Sol, as estrelas, as plantas, os animais, os seres-humanos, temos a oportunidade de conscientemente perceber a presença de Deus. Assim, o indivíduo sente Deus e O busca em suas preces, pensamentos e ações. As ações passam a ser guiadas por valores morais, com Jesus sendo o guia e Deus representando o Bem Maior.
Uma vez consciente da presença de Deus, o objetivo passa a ser a conquista da lucidez dos conhecimentos da vida, da Natureza e do próprio ser. Da mesma forma, o conhecimento da vida, da Natureza e do próprio ser levam o indivíduo a Deus. Assim, o ser consciente segue sempre gradativamente para um conhecimento maior.
A consciência de “estar vivo” permite que o ser realize ações dignas, edificantes, com a utilização de potencialidades inatas do ser, por ter sido criado por Deus, além de habilidades conquistadas por meio das várias experiências vividas.
Hoje, vivemos em uma sociedade altamente paternalista. Os benefícios imediatos, mas superficiais, são mais valorizados do que os alcançados através da labuta, que são permanentes. A Educação está mais voltada para resolver problemas imediatos do que para fornecer oportunidades de crescimento, tanto individual quanto coletivo. Como exemplo, podemos observar a banalização do Ensino Superior, no qual o mérito está cada vez mais desvalorizado em detrimento do diploma a qualquer custo. É o ser-humano desvalorizando a si mesmo, desqualificando suas potencialidades de aprendizado. Coincidência ou não, a banalização da busca pelo conhecimento teve início com o crescente distanciamento de Deus.
A Educação verdadeira trata da preparação do indivíduo para uma vida plena, por meio da aquisição da consciência de seus atos, com a sociedade vivendo em harmonia, em respeito mútuo.
As crianças são receptíveis às novas sugestões, aos novos aprendizados. São seres que necessitam de referências para que elaborem sua própria personalidade. Tais referências surgem de formas diversas, através da hereditariedade, da comunidade em que vivem, das influências dos meios de comunicação, entre outros. Os adultos são os responsáveis por fornecer condições para o desenvolvimento saudável das crianças, ou seja, têm a incumbência de serem referências para os jovens espíritos que iniciam nova jornada na matéria. Com o passar dos anos, as influências da matéria podem provocar o desvio de sua natureza espiritual, comprometendo sua busca pela consciência. Porém, se suas potencialidades forem bem utilizadas, as mesmas influências da matéria podem ser catalisadoras do seu despertar para uma vida plena, consciente de seu papel no universo.
Nesse sentido, educar pode ser visto pelo educando como uma conquista, cuja finalidade é a sua própria educação. O objetivo não é apenas o conhecimento por si só, nem a profissionalização ou um ajuste sócio-cultural, mas, além de todos esses aspectos, a busca pela plenitude. É a conquista da liberdade. O ser compreende, então, que pode buscar o seu próprio conhecimento, que pode fazer suas próprias escolhas, tomando como referência os membros da comunidade em que vive. Com isso, passa a ter atitudes dignas perante a sociedade e torna-se, ele mesmo, uma referência para o bem universal.
O educador é todo aquele que participa ativamente, como cúmplice e referência para que o educando alcance seus objetivos edificantes. Para tanto, o educador deve estar em um processo permanente de aprendizado, caracterizando um ensino-aprendizagem que visa o aperfeiçoamento mútuo. O benefício é, pois, percebido por toda a sociedade, o que não ocorre de forma significativa na sociedade paternalista atual. O educador busca uma melhor maneira para orientar e para influenciar positivamente, sem que haja desrespeito ao conhecimento adquirido pelo sujeito-aprendente. Na educação para a plenitude espiritual, o educador deve assumir, portanto, uma postura condizente com os objetivos maiores.
Para alcançar tal plenitude espiritual, o princípio máximo que deve reger a Educação é o amor. Não o amor que permite tudo, mas o amor consciente. O amor para a educação é voltado para a conquista da confiança recíproca. Deve ser enérgico, corajoso, forte, mas não dominante e nem desrespeitoso, além de ser executado com autoridade, mas sem autoritarismo. É o amor segundo Jesus nos ensinou e que permite nossa ligação com Deus.
A Educação deve ser ética, afetiva, sexual, física e religiosa. A educação ética é voltada para os valores morais, para as leis maiores que regem o Universo. A educação afetiva se volta para o respeito ao próximo, com o esclarecimento do maior mandamento, segundo Jesus de Nazaré. A educação sexual visa a orientação para uma sexualidade sadia e responsável, não somente para perpetuação da espécie humana, mas também para o aprendizado do amor com desapego, necessária para a construção de uma sociedade planejada segundo preceitos da ética e da moral. A educação física tem por objetivo a compreensão do respeito ao próprio corpo, com a busca do equilíbrio alimentar e de exercícios benéficos. A educação religiosa mostra a religião como um meio de comunhão com a divindade e com o bem maior, e não como uma convenção social.
Já não podemos mais aceitar uma Educação paternalista, assistencialista ou imposta. A Educação integral deve ter como proposta a liberdade máxima do ser, com a consciência dos valores morais e éticos, com o respeito ao próximo e a si mesmo, com o conhecimento dos limites pessoais e com a prática do bem.
Porém, a escolha é individual. Uma das inúmeras maneiras de alcançar patamares mais elevados é assumir a reforma íntima como prática fundamental de absorção de conhecimento por meio da caridade para com todos.
A construção de uma sociedade saudável é dever de todos. Portanto, é responsabilidade de cada um de nós agir com respeito ao próximo e a si mesmo, segundo a máxima do Cristo. Dessa forma, cada membro da sociedade atua como educador e como educando, proporcionando aos mais jovens um crescimento saudável e uma tomada de consciência, tanto individual quanto coletiva. Tal prática pode ser por meio de encontros na casa religiosa, de Evangelho no Lar, de cultos com amigos e vizinhos, na escola, enfim, com o intuito de trazer o Evangelho de Jesus para dentro de nossos corações. É o retorno ao Pai com a plenitude da consciência individual, por meio de relações interpessoais repleta de respeito mútuo. Esse é um dever de todos nós.

*Fontes de pesquisa:
  • Joanna de Ângelis, O Ser Consciente (psicografia de Divaldo Pereira Franco), 1993;
  • Dora Alice Colombo, Pedagogia Espírita: um projeto brasileiro e suas raízes histórico-filosóficas, 2001. Tese (Doutorado em Filosofia da Educação) – Universidade de São Paulo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Orientador: Roseli Fischmann.

Primeiras reflexões

Sigo Kardec? Não! Sigo Jesus.

Porém, em conjunto com o Antigo e com o Novo Testamentos, estudo as obras Espíritas, assim como toda e qualquer obra que fundamente meus conhecimentos. Não posso alegar que seja razoável omitir qualquer obra que edifique um conhecimento, mesmo que seja para refutar suas ideias. Para ser contra uma ideia, é preciso conhecê-la com profundidade.

Para os que dizem que a Doutrina Espírita é contrária aos ensinamentos de Jesus, peço calma. A ideia aqui não é criar uma briga, mas buscar o conhecimento de mim mesmo. Quem quiser vir comigo, será bem-vindo, seja cristão ou não, seja adepto das ideias do Espiritismo ou não.

Algumas questões NÃO serão discutidas nesse blog, tais como:

1) Existência de Deus;
2) Jesus é o nosso Mestre, a Luz do Mundo;
3) Existência da alma.

Essas questões são indiscutíveis nesse blog. Todo o mais poderá ser discutido, desde que seja dentro da ética e da moral.