domingo, 29 de abril de 2012

O Evangelho de Jesus em nosso lar


            Sabemos que não basta a fé em Deus. A prática do Evangelho é imprescindível para que permaneçamos firmes no caminho que nos leva ao Criador.
            Muitas das vezes, buscamos nos trabalhos voluntários a oportunidade de aprendizado e de renovação interior. Sem dúvida, tal atividade é de fundamental importância para os desígnios de Deus.
            Porém, se pudéssemos interrogar aos que convivem conosco na intimidade do lar o que eles desejam de nós, uma das solicitações mais sinceras provavelmente seria: por favor, me ajude a não errar mais.
            Nesse sentido, a prática do Evangelho no lar assume importância máxima na renovação dos ensejos cristãos.
            Vejamos o que Emmanuel, no seu livro Renúncia, nos ensina por meio de Alcíone, espírito da mais alta envergadura moral e protagonista dos mais profundos ensinamentos:
            “Tenho a convicção de que, em toda parte, estamos na casa de Nosso Pai e estou certa de que virá o dia em que tomaremos por templo de Deus o mundo inteiro. Mas, em nossa atual condição, não nos custa reconhecer o proveito das igrejas e o caráter sagrado do culto doméstico, no que concerne aos ensinos de Jesus. Também no conforto de nossas casas há sempre ótima disposição para atender aos nossos familiares enfermos, mas isso não proscreve a necessidade dos hospitais. Os pais amorosos ensinam sempre os filhinhos; mas nem por isso deixam de ser úteis as escolas. Em matéria de fé, nossa estranheza radica na viciação dos deveres religiosos. Costumamos atribuir ao sacerdote o que nos compete realizar.  [...] ... o lar é o templo mais nobre, porque oferece oportunidade diária de esforço e adoração. Cada criatura de nossa convivência, sob o mesmo teto, representa um altar para o culto da bondade, do carinho, da compreensão. [...] Acredito que o lar seja o ninho onde o espírito cria em si mesmo, com o auxílio do Pai Celestial, as asas da sabedoria e do amor, com que há de conhecer, mais tarde, as sendas divinas do Universo.”
            Não podemos fugir às nossas responsabilidades, atribuindo a outros o que nos compete. A evangelização é importante, mas não substitui a vivência evangélica diária. O entendimento da reencarnação, da lei de causa e efeito, das causas das manifestações dos espíritos, da ciência espírita, entre outros, não passa de futilidade se não for acompanhado de atitudes verdadeiramente cristãs, pautadas no Evangelho do Mestre Jesus de Nazaré. E tais atitudes se evidenciam primeiramente no lar.
            Portanto, vamos dar as mãos aos que compartilham conosco das experiências da Terra, sob o mesmo teto, e pratiquemos o estudo do Evangelho de Jesus pelo menos uma vez por semana. E solicitemos ao doce e meigo Rabi que nos auxilie na prática dos Seus sublimes ensinamentos em todos os momentos da nossa vida.

domingo, 22 de abril de 2012

Carta de Joanna

Gostaria de compartilhar com vocês uma das cartas que Joanna de Ângelis enviou à nossa sociedade, por meio do médium Divaldo Pereira Franco. Não irei comentar e tampouco modificar, mas apenas compartilhar tal qual a recebi por e-mail. Segue:



ANENCEFALIA

(Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, na reunião mediúnica da noite de 11 de abril de 2012, quando o Supremo Tribunal de Justiça, estudava a questão do aborto do anencéfalo, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.)

Nada no Universo ocorre como fenômeno caótico, resultado de alguma desordem que nele predomine. O que parece casual, destrutivo, é sempre efeito de uma programação transcendente, que objetiva a ordem, a harmonia.
De igual maneira, nos destinos humanos sempre vige a Lei de Causa e Efeito, como responsável legítima por todas as ocorrências, por mais diversificadas apresentem-se.
O Espírito progride através das experiências que lhe facultam desenvolver o conhecimento intelectual enquanto lapida as impurezas morais primitivas, transformando-as em emoções relevantes e libertadoras.
Agindo sob o impacto das tendências que nele jazem, fruto que são de vivências anteriores, elabora, inconscientemente, o programa a que se deve submeter na sucessão do tempo futuro.
Harmonia emocional, equilíbrio mental, saúde orgânica ou o seu inverso, em forma de transtornos de vária denominação, fazem-se ocorrência natural dessa elaborada e transata proposta evolutiva.
Todos experimentam, inevitavelmente, as consequências dos seus pensamentos, que são responsáveis pelas suas manifestações verbais e realizações exteriores.
Sentindo, intimamente, a presença de Deus, a convivência social e as imposições educacionais, criam condicionamentos que, infelizmente, em incontáveis indivíduos dão lugar às dúvidas atrozes em torno da sua origem espiritual, da sua imortalidade.
Mesmo quando se vincula a alguma doutrina religiosa, com as exceções compreensíveis, o comportamento moral permanece materialista, utilitarista, atado às paixões defluentes do egotismo.
Não fosse assim, e decerto, muitos benefícios adviriam da convicção espiritual, que sempre define as condutas saudáveis, por constituírem motivos de elevação, defluentes do dever e da razão.
Na falta desse equilíbrio, adota-se atitude de rebeldia, quando não se encontra satisfeito com a sucessão dos acontecimentos tidos como frustrantes, perturbadores, infelizes...
Desequipado de conteúdos superiores que proporcionam a autoconfiança, o otimismo, a esperança, essa revolta, estimulada pelo primarismo que ainda jaz no ser, trabalhando em favor do egoísmo, sempre transfere a responsabilidade dos sofrimentos, dos insucessos momentâneos aos outros, às circunstâncias ditas aziagas, que consideram injustas e, dominados pelo desespero fogem através de mecanismos derrotistas e infelizes que mais o degrada, entre os quais o nefando suicídio.
Na imensa gama de instrumentos utilizados para o autocídio, o que é praticado por armas de fogo ou mediante quedas espetaculares de edifícios, de abismos, desarticula o cérebro físico e praticamente o aniquila...
Não ficariam aí, porém, os danos perpetrados, alcançando os delicados tecidos do corpo perispiritual, que se encarregará de compor os futuros aparelhos materiais para o prosseguimento da jornada de evolução.
É inevitável o renascimento daquele que assim buscou a extinção da vida, portando degenerescências físicas e mentais, particularmente a anencefalia.
Muitos desses assim considerados, no entanto, não são totalmente destituídos do órgão cerebral.
Há, desse modo, anencéfalos e anencéfalos.
Expressivo número de anencéfalos preserva o cérebro primitivo ou reptiliano, o diencéfalo e as raízes do núcleo neural que se vincula ao sistema nervoso central…
Necessitam viver no corpo, mesmo que a fatalidade da morte após o renascimento, reconduza-os ao mundo espiritual.
Interromper-lhes o desenvolvimento no útero materno é crime hediondo em relação à vida. Têm vida sim, embora em padrões diferentes dos considerados normais pelo conhecimento genético atual...
Não se tratam de coisas conduzidas interiormente pela mulher, mas de filhos, que não puderam concluir a formação orgânica total, pois que são resultado da concepção, da união do espermatozoide com o óvulo.
Faltou na gestante o ácido fólico, que se tornou responsável pela ocorrência terrível.
Sucede, porém, que a genitora igualmente não é vítima de injustiça divina ou da espúria Lei do Acaso, pois que foi corresponsável pelo suicídio daquele Espírito que agora a busca para juntos conseguirem o inadiável processo de reparação do crime, de recuperação da paz e do equilíbrio antes destruído.
Quando as legislações desvairam e descriminam o aborto do anencéfalo, facilitando a sua aplicação, a sociedade caminha, a passos largos, para a legitimação de todas as formas cruéis de abortamento. ...
E quando a humanidade mata o feto, prepara-se para outros hediondos crimes que a cultura, a ética e a civilização já deveriam haver eliminado no vasto processo de crescimento intelecto-moral.
Todos os recentes governos ditatoriais e arbitrários iniciaram as suas dominações extravagantes e terríveis, tornando o aborto legal e culminando, na sucessão do tempo, com os campos de extermínio de vidas sob o açodar dos mórbidos preconceitos de raça, de etnia, de religião, de política, de sociedade...
A morbidez atinge, desse modo, o clímax, quando a vida é desvalorizada e o ser humano torna-se descartável.
As loucuras eugênicas, em busca de seres humanos perfeitos, respondem por crueldades inimagináveis, desde as crianças que eram assassinadas quando nasciam com qualquer tipo de imperfeição, não servindo para as guerras, na cultura espartana, como as que ainda são atiradas aos rios, por portarem deficiências, para morrer por afogamento, em algumas tribos primitivas.
Qual, porém, a diferença entre a atitude da civilização grega e o primarismo selvagem desses clãs e a moderna conduta em relação ao anencéfalo?
O processo de evolução, no entanto, é inevitável, e os criminosos legais de hoje, recomeçarão, no futuro, em novas experiências reencarnacionistas, sofrendo a frieza do comportamento, aprendendo através do sofrimento a respeitar a vida…
Compadece-te e ama o filhinho que se encontra no teu ventre, suplicando-te sem palavras a oportunidade de redimir-se.
Considera que se ele houvesse nascido bem formado e normal, apresentando depois algum problema de idiotia, de hebefrenia, de degenerescência, perdendo as funções intelectivas, motoras ou de outra natureza, como acontece amiúde, se também o matarias?
Se exercitares o aborto do anencéfalo hoje, amanhã pedirás também a eliminação legal do filhinho limitado, poupando-te o sofrimento como se alega no caso da anencefalia.
Aprende a viver dignamente agora, para que o teu seja um amanhã de bênçãos e de felicidade.

Joanna de Ângelis

Gestação de anencéfalo e a opção pela vida

            “Por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), mulheres que decidem abortar fetos anencefálicos e médicos que provocam a interrupção da gravidez não cometem crime. A maioria dos ministros entendeu que um feto com anencefalia é natimorto e, portanto, a interrupção da gravidez nesses casos não é comparada ao aborto, considerado crime pelo Código Penal.” (Notícia veiculada pela Agência Estado em 12/04/2012, às 21h10).
            Embora a decisão do STF exija no mínimo dois laudos médicos atestando a anencefalia para que a interrupção da gravidez possa ser executada, há diversas consequências importantes dessa decisão. E não se trata simplesmente de justificativas religiosas, mas filosóficas. A ética exige que todos tenham o direito à defesa de seus princípios. Qual é a defesa dos rejeitados pelas mães que decidem pela interrupção da gravidez? São vidas desprezadas no local que mais deveria haver amor, que é o útero materno. Na expectativa de gerar um potencial natimorto ou inválido, alguns pais decidem pela interrupção da gestação. Seria como amar a um filho mais do que a outro pelas diferenças naturais entre ambos. Se um dos filhos tiver um acidente, por exemplo, e ficar inválido, os pais tomarão a mesma decisão? Qual é a diferença, uma vez que a Ciência ainda não estabeleceu critérios definitivos sobre o princípio da vida humana?
Não nos cabe julgar a quem quer que seja. Assim, vamos compreender alguns dos ensinamentos que podem nos ajudar a devolver à sociedade brasileira a justiça de Deus, uma vez que a Sua Lei está acima de todas e preza sempre pela vida. Alguns podem afirmar que se trata de um apelo religioso. Outros podem afirmar que se trata de uma Lei Soberana. Entenda como queira, a Lei existe e deve ser cumprida.
Os espíritos superiores, mentores das obras do Cristo no advento da Doutrina Espírita, nos esclarecem, em O Livro dos Espíritos, questões 344 e 358 que a alma se une ao corpo no momento da concepção e que o abortamento voluntário é crime, uma vez que há transgressão das Leis de Deus. Ainda nos orientam que “a mãe, ou qualquer outra pessoa, cometerá sempre crime tirando a vida à criança antes de nascer, porque está impedindo, à alma, de suportar as provas das quais o corpo deveria ser o instrumento.” Em O Consolador, livro publicado em 1941, Emmanuel nos esclarece que “desde o instante primeiro de tais manifestações, a entidade espiritual experimenta os efeitos de sua nova condição”. Ou seja, há uma enorme importância da gestação para o restabelecimento do equilíbrio espiritual.
Na Bíblia, em Êxodo 20:13, há uma orientação direta: “Não matarás”. Em Salmos 139:13-14, há uma clara citação da intervenção divina na formação de nosso corpo e na ligação do espírito ao corpo físico: “Pois tu formaste o meu interior, tu me teceste no seio de minha mãe. Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem.”. Paulo, em 1 Coríntios 3:16-17, nos orienta sobre o caráter sagrado do nosso corpo: “Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá; porque o santuário de Deus, que sois vós, é sagrado”.
            Joanna de Ângelis, em sua carta psicografada por Divaldo P. Franco em 11 de abril de 2012, nos atenta para a importância da preservação da gestação de anencéfalos, pois seus espíritos necessitam da experiência da gestação para expiar seus desvarios, principalmente o suicídio. A mãe, em sua grande maioria, seria a corresponsável pelo suicídio daquele que habita seu ventre, que estão juntos, não pelo acaso, mas pela justiça divina que proporciona o reencontro como “processo de reparação do crime, de recuperação da paz e do equilíbrio antes destruído”. Ainda segundo Joanna, os povos primitivos assassinavam as crianças portadoras de qualquer tipo de imperfeição, pois não serviam para a guerra. Há distinção entre as aprovações de abortos nos dias de hoje, sob a legitimidade da lei humana, e o assassinato de bebês portadores de necessidades especiais? Poderíamos dizer que a responsabilidade hoje é maior, uma vez que há maior conhecimento das consequências de tais atitudes.
Construímos hoje o nosso amanhã. A sociedade é responsável pelas decisões de seus governos, uma vez que peca por omissão. Uma sociedade construída sem as bases morais do Cristo se revelará perversa e autoritária, com desmandos e injustiças sem limites.
O único caminho para o amadurecimento seguro da sociedade é o Evangelho de Jesus, pois Ele disse (João 14:6): “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim”. Não basta acreditar em Jesus. É preciso agir segundo os Seus ensinamentos. É necessário tomarmos atitudes coerentes. Não podemos mais nos apresentar como irmãos apenas nas casas de oração. Precisamos sair da nossa zona de conforto e apresentar a Boa Nova do Cristo a todos. Não somente em palavras, mas principalmente em atitudes.
Em suas últimas palavras (Atos 1:8), após a Sua ressurreição, Jesus nos deu uma orientação direta e inquestionável: “mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra”. Nesse momento delicado de nossa sociedade, vamos nos apresentar como testemunhos do Cristo e lutar pela vida de nossos irmãos. Não fiquemos parados. Eles clamam por socorro e cabe a nós, seguidores do Cristo, lhes apresentar a maior arma contra a injustiça humana: o Evangelho de Jesus.