Muitos de nós já ouvimos falar que espíritas não leem a Bíblia. Pois bem, para a ignorância, nada melhor do que os originais.
Nesse sentido, convido a todos os que compartilham das ideias espalhadas a quatro cantos que o Antigo Testamento é um livro ultrapassado, a ler as questões 59, 275, 560, de O Livro dos Espíritos.
Vou mais além: trago algumas palavras dos próprios Espíritos Superiores. Vejamos um trecho sobre isso na questão 1010: "Logo se reconhecerá que o Espiritismo ressalta a cada passo do próprio texto das Escrituras sagradas. Os Espíritos não vêm, pois, destruir a religião, como alguns o pretendem, mas, ao contrário, vêm confirmá-la, sancioná-la por provas irrecusáveis".
Kardec nos exorta a buscar conhecer antes de criticar. Compartilho um trecho da Conclusão de O Livro dos Espíritos: "Zombar de uma coisa que não se conhece, que não se sondou com o escalpelo do observador consciencioso, não é criticar, é fazer prova de imprudência e dar uma infeliz ideia de seu próprio julgamento".
Portanto, companheiros, vislumbramos um oceano de ensinamentos no Antigo e no Novo Testamentos e nos preocupamos com uma pequena onda que se forma na areia da praia e logo some.
Quando perguntado sobre o Antigo e o Novo Testamentos, Emmanuel foi categórico em O Consolador. Vejamos as perguntas 267, 281 e 282.
267 –Qual a posição do Velho Testamento no quadro de valores da educação religiosa
do homem?
-No quadro de valores da educação religiosa, na civilização cristã, o Velho
Testamento, apesar de suas expressões altamente simbólicas, poucas vezes acessíveis
ao raciocínio comum, deve ser considerado como a pedra angular, ou como a fontemáter
da revelação divina.
281 –A leitura do Velho Testamento e do Evangelho, nos círculos familiares, como é de
hábito entre muitos povos europeus, favorece a renovação dos fluídos salutares de paz
na intimidade do coração e do ambiente doméstico?
-Essa leitura é sempre útil, e quando não produz a paz imediata, em vista da
heterogeneidade de condições espirituais daqueles que a ouvem em conjunto, constitui sempre proveitosa sementeira evangélica, extensiva às entidades do plano invisível,
que a assistem, sendo lícito esperar mais tarde o seu florescimento e frutificação.
282 –Se devemos considerar o Velho Testamento como a pedra angular da Revelação
Divina, qual a posição do Evangelho de Jesus na educação religiosa dos homens?
-O Velho Testamento é o alicerce da Revelação Divina. O Evangelho é o edifício
da redenção das almas. Como tal, devia ser procurada a lição de Jesus, não mais para
qualquer exposição teórica, mas visando cada discípulo o aperfeiçoamento de si
mesmo, desdobrando as edificações do Divino Mestre no terreno definitivo do Espírito.
Portanto, meus amigos, entre os que elaboram teorias contrárias aos textos antigos e as obras fundamentais da Doutrina Espírita, sou levado pelo bom senso, pela lógica e pela razão: fico com a Doutrina Espírita, o que é a mesma coisa que ficar com a Bíblia.
Apesar de meu pouco conhecimento sobre o espiritismo eu tive a oportunidade e a felicidade de possuir amigos espíritas e, dessa forma, não compartilho da ideia de que os espíritas não leem a Bíblia, ou seja, não pertenço ao grupo citado na postagem. Eu, particularmente, não considero o Antigo Testamento ultrapassado, mas tenho várias observações quanto a alguns textos que, formando um conjunto de éticas, servem apenas para aquela época. A aplicação de tais textos nos dias atuais serve para fomentar a intolerância, seja ela de qualquer espécie. Acredito na Bíblia, mas não na aplicação da mesma por fundamentalistas. Penso que a falta de conhecimento dos leitores dá espaço para os fundamentalistas agirem. Dessa forma, fico com Kardec: Conhecer antes de criticar. Ou como conclui o Livro dos Espíritos: aplicam uma infeliz ideia de seu próprio julgamento. Tenho preocupação com a interpretação que fundamentalistas dão sobre o trecho que diz que o Velho Testamento é a fonte máter da revelação divina. Creio em Deus e minha condição humana me dá a oportunidade da análise crítica sem diminuir minha fé.
ResponderExcluirEstou contigo, Clayton. Alguns espíritas dizem que não é necessário ler a Bíblia. Infelizmente, esses desconhecem os próprios textos básicos da Doutrina Espírita. Você disse uma coisa de extrema importância: "a falta de conhecimento dos leitores dá espaço para os fundamentalistas agirem". O problema não é a Bíblia, mas a interpretação que fazemos de seus textos. Mesmo com as perdas de sentido, devido às inúmeras traduções e adaptações, a Bíblia é um guia de boa conduta espiritual da Humanidade, junto com outros livros sagrados. Nesse sentido, quando interpretado em pleno acordo com a luz do conhecimento que Jesus nos trouxe, o Velho Testamento se torna a fonte máter da revelação divina. Mas, para isso, temos que afastar os preconceitos e as leituras tendenciosas, minimizando o radicalismo até que este seja completamente excluído, quando então nos tornaremos um único corpo de Cristo, independente da religião. A análise crítica que você citou é o que nos torna, a meu ver, seguidores do Cristo, pois O seguimos por que nos convencemos, por nós mesmos, que Ele é a luz do mundo e não porque alguém nos disse. Gostei muito das suas colocações, sempre muito elucidativas. Que a fé raciocinada e crítica nos integre cada vez mais em Cristo para nos ligarmos cada vez mais a Deus. Forte abraço.
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