“Eu sou a luz do mundo; quem me segue
não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida” (João 8:12). Que
Jesus é a luz do mundo, não há dúvidas. Contudo, nós conseguimos absorver esse
ensinamento do Mestre em toda a sua extensão? Conseguimos vivenciar esse
conhecimento no nosso cotidiano? Se nós seguíssemos verdadeiramente ao Cristo,
haveria qualquer motivo para não viver plenamente conforme ele nos ensinou?
Aprofundar em seus dizeres é fundamental para alcançar a vida plena, repleta de
conquistas íntimas no campo espiritual.
Em
João 12: 35-36, Jesus nos orienta dizendo que “ainda por um pouco a luz está
convosco. Andai enquanto tendes a luz, para que as trevas não vos apanhem; e quem
anda nas trevas não sabe para onde vai. Enquanto tendes a luz, crede na luz,
para que vos torneis filhos da luz (...)”. Sendo Jesus a luz do mundo e tendo
dito que quem o segue não andará nas trevas, como podemos interpretar seu
ensinamento quando nos orienta a andar enquanto temos luz, para que as trevas
não nos apanhem?
Podemos
interpretar essas passagens de Jesus como sendo a busca pelo conhecimento
(“conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”, João 8:32). Nesse sentido,
as trevas significam a ignorância. Enquanto permanecermos nas trevas da
ignorância, não aceitaremos os sublimes ensinamentos do Cristo. Porém, ao
identificarmos a verdade dos ensinamentos de Jesus, não podemos correr
atabalhoadamente como se tudo fosse fugir às nossas mãos. Quando disse “andai
enquanto tendes a luz”, o Mestre galileu nos orienta a não agir com ansiedade,
mas com cautela, com calma, de forma a absorver o máximo ao nosso alcance e,
principalmente, transmutar os sentimentos negativos em sentimentos edificantes
e sublimes (Alírio de Cerqueira Filho, Parábolas
Terapeutas, cap. 3). Tais sentimentos edificantes são conquistados aos
poucos, caminhando dentro dos limites de cada experiência reencarnatória.
Tenhamos,
contudo, cautela e avaliemos a nossa própria evolução nos ensinamentos do
Cristo. Ao nos compararmos com outra pessoa, poderemos nos frustrar, uma vez
que cada um possui conhecimentos próprios adquiridos ao longo dos milênios de
evolução. Olhemos para nós mesmos, entendamos os nossos sentimentos mais
íntimos e as nossas tendências, voltemo-nos para o nosso próprio interior, “em
espírito e verdade”. A ignorância não é o pouco conhecimento que temos
comparado com outros irmãos, mas é fruto de nossa ilusão nos bens materiais,
alimentada pela nossa teimosia. Assim, poderemos compreender que as trevas são
a ignorância na qual teimamos em permanecer quando já temos potencial para
avançar.
As trevas não
existem para quem permanece com o Cristo e para quem busca a Deus. Vejamos
Ezequiel 34:14: “Apascentá-las-ei de bons pastos, e nos altos montes de Israel
será a sua pastagem”. Deus nos fornece os “bons pastos”, que são os alimentos
espirituais, os quais estão “nos altos montes de Israel”, ou seja, nos pontos
mais altos que podemos alcançar nos momentos de prece.
É a reforma íntima que nos remete ao Criador,
que nos eleva cada vez mais aos “altos montes de Israel”. Não é mais o momento
de ficarmos remoendo o passado como crianças aduladas à espera de alguém que
nos alimente os melindres. Podemos aprender com o passado, mas não devemos
viver os momentos como se pudéssemos modifica-los. É tempo de nos reconhecermos
como espíritos imortais, dotados de potencial ilimitado para o bem, de
vislumbrar a vitória pelo objetivo alcançado. Deus nos fornece todos os
subsídios que necessitamos para vivenciar as experiências ao máximo que
podemos, dentro dos nossos limites. Vivamos, portanto, na luz do Criador,
refletida pelo Mestre Jesus, o Cristo, a cada um de nós.
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